Primeiro serviço especializado no Ceará, o Ambulatório Multiprofissional de Infecções Osteoarticulares do Instituto Dr. José Frota (IJF) completa um ano de funcionamento reforçando um modelo referência de cuidado voltado ao acompanhamento de pacientes com infecções ósseas e articulares complexas, como osteomielite e infecções relacionadas a próteses. Implantado em junho de 2025, o ambulatório reúne especialistas de diferentes áreas para garantir tratamento contínuo após a alta hospitalar, reduzindo reinternações e ampliando a segurança do paciente.
O desenvolvimento do ambulatório surgiu diante de desafios frequentes no tratamento dessas infecções, como internações prolongadas, perda de seguimento dos pacientes e necessidade de acompanhamento conjunto entre infectologistas e equipe multiprofissional. O serviço também busca otimizar a utilização dos leitos hospitalares ao permitir que parte do tratamento seja realizada em nível ambulatorial.
De acordo com o infectologista Antônio Mauro, médico do ambulatório de Infecções Osteoarticulares, neste primeiro ano de atividades, o serviço já apresentou redução significativa do tempo de internação após o diagnóstico do paciente. “É um acompanhamento de até um ano, no qual o paciente tem consultas regulares em forma quinzenal, mensal, trimestral e semestral. Atualmente, acompanhamos cerca de 100 pacientes diagnosticados com infecções dessa natureza, melhorando a qualidade de vida dos pacientes e sua plena recuperação”, explica o infectologista.
O médico também aponta que, antes da implantação do serviço, algumas internações duravam até seis semanas. “Com a garantia de um acompanhamento ambulatorial especializado e a troca precoce para o antibiótico via oral, os pacientes podem reduzir esse tempo de internação para apenas uma semana com uso de antibiótico venoso”, esclarece.
Um dos pacientes acompanhados pelo serviço é Raimundo Nonato, de 63 anos, que sofreu um acidente de trabalho e, devido ao trauma e gravidade das lesões, foi diagnosticado com osteomielite, exigindo tratamento prolongado. Raimundo ingressou no ambulatório em setembro de 2025 e, após passar por cirurgia de retirada de placas no braço, iniciou um tratamento durante 12 semanas para controle da infecção e recuperação da condição clínica.
“Sofri esse acidente durante uma construção de trabalho e desde então estou sendo acompanhado pela equipe do IJF. Meu braço não conseguia esticar e também não conseguia mexer a mão. Hoje, já consigo mexer a mão e um pouco do braço após o acompanhamento e uso correto do antibiótico. Só tenho a agradecer”, relata.
Como funciona o atendimento
O ambulatório acompanha pacientes entre 16 e 89 anos, a maioria do sexo masculino, com histórico de traumas nos membros inferiores. O modelo de assistência acontece com consultas regulares com, no mínimo, duração de uma hora, a partir de avaliação clínica aprofundada, inicialmente com profissional farmacêutico, com direcionamentos ao tempo de tratamento, acesso à medicação e notificação de eventos adversos.
Além disso, o atendimento presencial também conta com avaliação de médico infectologista, que realiza revisão do prontuário, antibioticoterapia, avaliação de feridas operatórias e lesões de pele, manejo de eventos adversos e decisão clínica de seguimento ao tratamento. O serviço atua de forma multidisciplinar, com comunicação integrada entre traumatologia, microbiologia e estomaterapia.
A farmacêutica clínica responsável pelo serviço, Keine Castro, reforça que a avaliação do farmacêutico também contribui para garantir a eficácia do tratamento antimicrobiano. “Este é um tratamento complexo, que exige atuação conjunta da equipe multidisciplinar, com avaliação singular de cada paciente, analisando qual melhor conduta clínica, medicamento e acompanhamento”, finaliza.
Resultados
Como parte dos esforços da equipe multiprofissional do IJF, integrantes do ambulatório participam, em agosto, do 15º Congresso Paulista de Infectologia, onde apresentarão o trabalho com tema “Ambulatório Multiprofissional de Infecções Osteoarticulares do Nordeste Brasileiro: perfil clínico – epidemiológico, microbiológico e impacto nos desfechos em segmento especializado”, reforçando a importância do tema para a produção científica e o aprimoramento da assistencia em saúde.
