Para alguns bebês, além de alimento, o leite materno é proteção, vínculo e parte essencial da recuperação. É com esse olhar que a Prefeitura de Fortaleza, por meio da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), intensifica, durante o Agosto Dourado, as ações de incentivo, proteção e apoio à amamentação.
A campanha também é um momento de lembrar que amamentar nem sempre é simples. Dúvidas, dificuldades na pega, insegurança e outras situações podem fazer parte desse processo. Por isso, a rede municipal mantém espaços de acolhimento e orientação para mulheres que precisam de apoio.
Fortaleza conta atualmente com 28 Salas de Apoio à Mulher que Amamenta/Coleta de Leite Humano, distribuídas entre postos de saúde e maternidades presentes em todas as Regionais de Saúde. Somente nesta gestão, cinco salas foram requalificadas e uma nova foi entregue no posto de saúde Pompeu Vasconcelos, no bairro Barroso.
Os espaços oferecem orientações sobre os benefícios do aleitamento, técnicas para facilitar a amamentação, esclarecimentos sobre situações em que a mãe não consegue amamentar, apoio diante das dificuldades e orientações para a coleta de leite humano. O atendimento é realizado por profissionais capacitados, como enfermeiros e técnicos de enfermagem.
Coleta de leite em domicílio
Na rede municipal, o Hospital e Maternidade Dra. Zilda Arns Neumann (Hospital da Mulher) realiza a captação de leite materno diretamente na casa das doadoras. O serviço é voltado às mulheres que estão amamentando e possuem leite excedente, que pode ser destinado a recém-nascidos internados, especialmente prematuros e bebês que necessitam de cuidados intensivos.
Para doar, a mulher deve entrar em contato com o posto de coleta do equipamento pelo telefone (85) 3233-3757, para realizar um pré-cadastro, o serviço é 24h. Após a avaliação dos exames é agendado uma visita domiciliar. Na ocasião, a doadora recebe um kit com frasco estéril, gorro, máscara e orientações para realizar a coleta de forma segura. Depois, uma equipe do hospital retorna à residência para recolher o leite.
O leite coletado é encaminhado para análise de qualidade e, posteriormente, passa pelo processo de pasteurização antes de ser disponibilizado aos bebês que necessitam. Dessa forma, cada doação percorre uma rede de cuidado até chegar a quem mais precisa.
Um gesto que pode fazer a diferença
No Hospital da Mulher, que possui Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal, estão internados bebês que precisam de cuidados especializados, incluindo prematuros extremos. Para eles, o leite materno pode contribuir para o fortalecimento do organismo e para uma recuperação mais segura.
Para Eliza, que nasceu no dia 27 de julho no equipamento, com 33 semanas de gestação e pesando pouco menos de 2 kg, o leite doado dos seus primeiros dias de vida, quando ela precisou ser internada em uma UTI Neo, o leite foi mais do que alimento, ele foi proteção, cuidado e esperança.
A mãe, Louyszyana Façanha, de 31 anos, deu à luz no Hospital Distrital Gonzaga Mota do José Walter. Como Eliza precisava de cuidados intensivos, foi transferida para o Hospital da Mulher, enquanto a bebê permanecia na unidade de origem aguardando alta. Quando chegou no hospital que a filha estava internada, descobriu que Eliza já recebia leite materno doado. “Eu fiquei tão aliviada, porque ainda não tinha descido o meu leite”, conta. A experiência trouxe tranquilidade para a mãe, que já havia amamentado a primeira filha e desejava que filha também recebesse leite materno.
Enquanto se recuperava do parto, ela passou a receber orientação dos profissionais do hospital. E foi nesse processo que a mãe, que primeiro recebeu a solidariedade de uma doadora para alimentar sua filha, decidiu também fazer parte dessa corrente. “Eu também me cadastrei como doadora. Agora eu tiro para minha filha, que já saiu da UTI e está na enfermaria. E o leite que eu tiro em casa, eu vou guardando no vidrinho e trago para cá”, explica.
O leite excedente de Louyszyana passa a ser destinado aos bebês que continuam internados na unidade neonatal. Para ela, a experiência mostrou, na prática, a dimensão que um gesto de doação pode alcançar. “Eles vão buscar em casa para deixar aqui também, além de darem todo o suporte pras mãezinhas”, conta.
Amamentar também é cuidar
A recomendação é que o leite materno seja oferecido exclusivamente até os seis meses de vida e continue até os dois anos ou mais, como complemento à alimentação. Seus benefícios alcançam tanto o bebê quanto a mãe, contribuindo para a proteção contra infecções e outras doenças e fortalecendo o vínculo entre mãe e filho.
O leite humano é rico em nutrientes e anticorpos que contribuem para a proteção e o desenvolvimento dos bebês. Para aqueles que nasceram prematuramente ou estão internados, receber leite humano pode ser ainda mais importante durante um período de grande fragilidade.
Serviço
Doação de leite materno - Hospital e Maternidade Dra. Zilda Arns Neumann (Hospital da Mulher)
Contato: (85) 3233-3757
