A espera por um transplante pode ser marcada pela incerteza. Para Diógenes Lima de Castro, de 55 anos, aposentado, foram dias difíceis até receber a notícia de que um coração estava disponível e compatível para a realização do seu transplante de coração. O órgão foi captado no Instituto Dr. José Frota (IJF), em 2016, maior centro de urgência traumatológica do Ceará e responsável por 30% das captações de órgãos em todo o estado. Hoje, dez anos depois do transplante, ele leva uma rotina que inclui acompanhamento médico, atividades saudáveis e, principalmente, o compromisso de falar sobre a importância da doação de órgãos.
Diógenes conta que o período de espera foi uma das etapas mais difíceis de sua trajetória. Depois do transplante, a recuperação foi rápida. Ele recebeu alta hospitalar, iniciou as sessões de fisioterapia e, aos poucos, retomou a vida cotidiana. Atualmente, Diógenes realiza acompanhamento médico a cada três meses no Hospital de Messejana, em Fortaleza. Fora do ambiente hospitalar, procura manter hábitos de bem-estar e seguir normalmente com suas atividades.
Além de acompanhar a própria saúde, ele passou a atuar como um incentivador da doação de órgãos. Para Diógenes, a possibilidade de estar vivo hoje está diretamente ligada à decisão tomada por uma família diante da perda de um ente querido. Segundo ele, o doador havia comunicado ainda em vida à família o desejo de ser doador de órgãos. A atitude demonstra a importância de conversar com familiares sobre o tema. “Se eu estou vivo hoje, é devido à campanha de doação de órgãos”, afirma Diógenes, que considera a própria história uma oportunidade para estimular outras pessoas a conversarem com suas famílias.
No Brasil, a autorização familiar tem papel central no processo de doação de órgãos. Por isso, comunicar em vida o desejo de ser doador pode ajudar a família a compreender e respeitar essa decisão no momento em que ela for necessária. É justamente esse diálogo que Diógenes procura estimular. Para ele, falar sobre doação de órgãos não deve ser um assunto deixado para depois. Dez anos após receber um novo coração, Diógenes transformou a experiência de paciente transplantado em uma forma de mobilização. Ele passou a defender que mais pessoas conheçam o processo e conversem com seus familiares antes que uma situação de emergência aconteça.
IJF reforça importância da doação
A conscientização sobre a doação de órgãos também faz parte da atuação do Instituto Dr. José Frota (IJF). O hospital mantém ações de mobilização para estimular o diálogo sobre o tema e reforçar a importância da decisão familiar no processo de doação. Neste mês, o IJF promove a campanha “Quem doa órgãos, doa esperanças e recomeços”, que busca ampliar a conscientização sobre a doação e mostrar que a decisão de uma família pode representar uma nova oportunidade de vida para outras pessoas.
Como parte da campanha, o IJF também promove, no final deste mês, o 14º Encontro de Famílias Doadoras, iniciativa que reúne familiares que autorizaram doações, pessoas transplantadas, profissionais de saúde e demais integrantes da rede de transplantes. Um dos convidados que não abre mão de participar é Diógenes. “É de suma importância esse Encontro para agradecer a essas famílias, pois por meio desse ato é que muitas pessoas estão vivas. Eu tenho o privilégio de participar desse momento há muitos anos. Me sinto envaidecido por ter a oportunidade de compartilhar um pouco da minha história como paciente transplantado e que sim é possível ter vida plena após o transplante”, finaliza Castro.
