02 de fevereiro de 2022 em Social

Prefeitura de Fortaleza divulga Censo da População de Rua

Mais de 2.600 pessoas estão em situação de rua na Capital. Medidas serão anunciadas pelo prefeito nos próximo dias


casal de costas para a câmera chega no trailer do espaço de higiene cidadã
Os serviços municipais mais relevantes para as pessoas em situação de rua são o Centro Pop e o Espaço de Higiene Cidadã (Foto: Marcos Moura)

A Prefeitura de Fortaleza divulgou nesta quarta-feira (02/02) os dados do II Censo Municipal da População de Rua, que tem como objetivo nortear as políticas públicas para a população mais vulnerável da Capital. A pesquisa mostrou que 2.653 pessoas vivem em situação de rua na cidade, sendo a maioria do sexo masculino (81,5%) e com idade entre 31 a 49 anos (49,1%). A partir das informações obtidas pelo Censo, a Prefeitura irá realizar um pacote de ações emergenciais, que serão anunciadas pelo prefeito José Sarto nos próximos dias.

"O desemprego e o empobrecimento da população nos últimos anos levaram muitas pessoas para a situação de rua. O Censo foi exatamente para diagnosticar o crescimento desse problema. O plano emergencial que vamos lançar amplia os pontos e as equipes que atendem esse público, com mais oferta de alimentação e de abrigos. Minha preocupação e empenho é buscar soluções para mitigar o sofrimento da nossa gente que mais precisa", antecipou o prefeito em seu pronunciamento nesta terça-feira (01/02) na Câmara Municipal de Fortaleza.

Conforme a pesquisa, houve um crescimento de 53,1% em comparação com a pesquisa anterior, realizada em 2014, quando foram contadas 1.718 pessoas em situação de rua. A contagem ocorreu entre os dias 19 e 23 de julho de 2021 nas ruas de Fortaleza, nos Serviços de Acolhimento Institucional e em outras instituições reconhecidas por acolher a população em situação de rua.

A população em situação de rua na Cidade concentra-se principalmente na região administrativa Regional 12 (36,6%), seguida pela Regional 2 (18,1%) e pela Regional 4 (15,3%). As três regionais totalizam 70% da população em situação de rua na Cidade. Foram registrados 1.462 pontos de abordagem. Do total, 56,7% das pessoas estavam nas calçadas, 18,1% em praças, 7,4% sob marquises, 3,5% embaixo de viadutos e 2,2% em tocas. Em 533 pontos foram encontradas também moradias improvisadas.

De acordo com o Censo, 22,3% responderam que estavam na rua há mais de um ano e há menos de 5 anos; 17,4% há mais de 10 anos; e 13,7% entre 5 e 10 anos. Do total, 35% das pessoas entrevistadas estavam nas ruas de Fortaleza há menos de um ano. A maioria é natural de Fortaleza ou está na cidade há mais de um ano (56,17%). Os dados revelam também que 96,8% são cisgêneros, 91,5% são heterossexuais e 71,5% são pretos ou pardos.

Há um alto nível de analfabetismo (18,8%), superior à média do Nordeste, que é de 15,14%, e ao percentual do Ceará, que é de 14,2% da população maior de 18 anos de idade, de acordo com a pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (IBGE, 2017). A maioria (62,7%) nunca teve acesso a uma formação profissional e 44,7% nunca trabalharam com registro em carteira de trabalho. O desemprego de longa duração é superior à média nacional (41,2%) para a população em geral.

Uso de drogas
A pesquisa revelou ainda que 58,7% estão em situação de rua em função de conflitos familiares e 29,7% por causa da dependência química. Do total, 34,2% têm passagem por instituições para tratamento de dependência química e 29,5% pelo sistema prisional. Mais da metade tem raros ou não tem mais contato com suas famílias. Quase todos (86,8%) foram para as ruas ao perder a condição de ter uma moradia convencional.

Saiba mais
Os serviços municipais mais relevantes para as pessoas em situação de rua são o Centro Pop, que atende 51,7% dessa população, e o Espaço de Higiene Cidadã, que atende 29,8%. Ao todo, 26,2% declararam que nos últimos seis meses não foram atendidos por nenhum serviço público ou privado.

Quase a totalidade deseja deixar de viver em situação de rua (94,3%). Para elas, o que as ajudaria seria ter uma moradia permanente (40%), ter emprego fixo (29,3%) e tratar a dependência de álcool ou outras drogas (9,3%).

Prefeitura de Fortaleza divulga Censo da População de Rua

Mais de 2.600 pessoas estão em situação de rua na Capital. Medidas serão anunciadas pelo prefeito nos próximo dias

casal de costas para a câmera chega no trailer do espaço de higiene cidadã
Os serviços municipais mais relevantes para as pessoas em situação de rua são o Centro Pop e o Espaço de Higiene Cidadã (Foto: Marcos Moura)

A Prefeitura de Fortaleza divulgou nesta quarta-feira (02/02) os dados do II Censo Municipal da População de Rua, que tem como objetivo nortear as políticas públicas para a população mais vulnerável da Capital. A pesquisa mostrou que 2.653 pessoas vivem em situação de rua na cidade, sendo a maioria do sexo masculino (81,5%) e com idade entre 31 a 49 anos (49,1%). A partir das informações obtidas pelo Censo, a Prefeitura irá realizar um pacote de ações emergenciais, que serão anunciadas pelo prefeito José Sarto nos próximos dias.

"O desemprego e o empobrecimento da população nos últimos anos levaram muitas pessoas para a situação de rua. O Censo foi exatamente para diagnosticar o crescimento desse problema. O plano emergencial que vamos lançar amplia os pontos e as equipes que atendem esse público, com mais oferta de alimentação e de abrigos. Minha preocupação e empenho é buscar soluções para mitigar o sofrimento da nossa gente que mais precisa", antecipou o prefeito em seu pronunciamento nesta terça-feira (01/02) na Câmara Municipal de Fortaleza.

Conforme a pesquisa, houve um crescimento de 53,1% em comparação com a pesquisa anterior, realizada em 2014, quando foram contadas 1.718 pessoas em situação de rua. A contagem ocorreu entre os dias 19 e 23 de julho de 2021 nas ruas de Fortaleza, nos Serviços de Acolhimento Institucional e em outras instituições reconhecidas por acolher a população em situação de rua.

A população em situação de rua na Cidade concentra-se principalmente na região administrativa Regional 12 (36,6%), seguida pela Regional 2 (18,1%) e pela Regional 4 (15,3%). As três regionais totalizam 70% da população em situação de rua na Cidade. Foram registrados 1.462 pontos de abordagem. Do total, 56,7% das pessoas estavam nas calçadas, 18,1% em praças, 7,4% sob marquises, 3,5% embaixo de viadutos e 2,2% em tocas. Em 533 pontos foram encontradas também moradias improvisadas.

De acordo com o Censo, 22,3% responderam que estavam na rua há mais de um ano e há menos de 5 anos; 17,4% há mais de 10 anos; e 13,7% entre 5 e 10 anos. Do total, 35% das pessoas entrevistadas estavam nas ruas de Fortaleza há menos de um ano. A maioria é natural de Fortaleza ou está na cidade há mais de um ano (56,17%). Os dados revelam também que 96,8% são cisgêneros, 91,5% são heterossexuais e 71,5% são pretos ou pardos.

Há um alto nível de analfabetismo (18,8%), superior à média do Nordeste, que é de 15,14%, e ao percentual do Ceará, que é de 14,2% da população maior de 18 anos de idade, de acordo com a pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (IBGE, 2017). A maioria (62,7%) nunca teve acesso a uma formação profissional e 44,7% nunca trabalharam com registro em carteira de trabalho. O desemprego de longa duração é superior à média nacional (41,2%) para a população em geral.

Uso de drogas
A pesquisa revelou ainda que 58,7% estão em situação de rua em função de conflitos familiares e 29,7% por causa da dependência química. Do total, 34,2% têm passagem por instituições para tratamento de dependência química e 29,5% pelo sistema prisional. Mais da metade tem raros ou não tem mais contato com suas famílias. Quase todos (86,8%) foram para as ruas ao perder a condição de ter uma moradia convencional.

Saiba mais
Os serviços municipais mais relevantes para as pessoas em situação de rua são o Centro Pop, que atende 51,7% dessa população, e o Espaço de Higiene Cidadã, que atende 29,8%. Ao todo, 26,2% declararam que nos últimos seis meses não foram atendidos por nenhum serviço público ou privado.

Quase a totalidade deseja deixar de viver em situação de rua (94,3%). Para elas, o que as ajudaria seria ter uma moradia permanente (40%), ter emprego fixo (29,3%) e tratar a dependência de álcool ou outras drogas (9,3%).