Na última sexta-feira (22/5), os estudantes da Rede Municipal de Ensino participaram da I Feira estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação do Ceará, realizada pela Universidade Estadual do Ceará (Uece), em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), na Academia do Professor Darcy Ribeiro (Aprof), no Centro de Fortaleza.
Entre as equipes premiadas, após avaliação da banca julgadora, os alunos e professores orientadores das municipais Edith Braga e Santa Isabel foram agraciados com o 1º lugar. Na área de Linguagens, a pesquisa “Tecendo vozes: Cartografia Poética Antirracista”, foram premiados os alunos do 5º ano, Ana Beatriz Carneiro da Silva e Davi da Silva Sampaio, foram orientados pela professora Márcia Maria Belarmino Rodrigues da Escola Municipal Professora Edith Braga. Já na área de Matemática, os alunos Gabriel Vieira Almeida e Gleyson Isaque Costa Castelo Branco, sob orientação do professor Antonio Jeferson Lima Magalhães foram premiados com a pesquisa “Matematize: Resgatando a imaginação matemática por meio de práticas protagonistas”.
A professora Márcia Belarmino “Tecendo vozes: Cartografia Poética Antirracista” explicou que a pesquisa foi desenvolvida ao longo de dois meses a partir das atividades voltadas para a educação antirracista, abordando temas como a data Magna do Ceará, o racismo no esporte, o racismo e a saúde emocional e as leis antirracistas. “Foram ainda realizadas leituras de autores negros como Emicida, Bell Hooks e Bárbara Carine, que ajudaram as crianças a refletir sobre racismo e identidade e a potência da poesia como forma de expressão. Essas leituras inspiraram os estudantes a construir suas próprias narrativas poéticas, em diálogo com suas vivências e com a comunidade”, relata.
O percurso metodológico envolveu oficinas de leitura com autores negros, rodas de conversa, produção de poemas e a criação coletiva de um mapa afetivo antirracista em tecido, construído com a participação da comunidade. Essa abordagem garantiu protagonismo infantil e a escuta sensível permitindo que as crianças se reconhecessem como autoras de conhecimento. “Adotamos uma metodologia inspirada na cartografia poética, entendida como uma forma de mapear não ruas ou territórios físicos, mas sentimentos, memórias e vivências das crianças e de suas famílias”, conta.
Já a pesquisa premiada com o tema “Matematize: Resgatando a imaginação matemática por meio de práticas protagonistas” abordou a imaginação matemática que é a capacidade de visualizar, conceituar e manipular ideias abstratas e estruturas matemáticas, indo além da simples aplicação de fórmulas e cálculos. Envolve a exploração de relações, padrões e possibilidades dentro do campo da matemática, permitindo a interação com novos conceitos e a resolução de problemas cotidianos. A BNCC (Base Nacional Comum Curricular) propõe que a Matemática seja aprendida de forma contextualizada, com foco na resolução de problemas e na aplicação dos conhecimentos matemáticos para compreender o mundo.
A abordagem científica foi realizada em quatro etapas a serem desenvolvidas pelos alunos do 5º ano do ensino fundamental I. As etapas consistiram em envolver os alunos, preparar uma exposição de jogos matemáticos intitulada: Expomat, que contou com a visitação das turmas da escola, que interagiam com os materiais expostos e, finalmente, expor as principais dificuldades apresentadas pelos alunos, publicando por meio de vídeos curtos na rede social instagram, com a resolução de questões matemáticas, feitas pelos próprios alunos. Com a experiência, foi atingida uma crescente melhoria dos resultados internos e externos dos estudantes e a significativa evolução na autonomia dos estudantes, que agora já conseguem ser protagonistas na busca do conhecimento.
Para a professora Nara Moraes, gerente da Célula de Currículo dos Anos Iniciais, é motivo de grande alegria e um orgulho imenso acompanhar o desempenho dos estudantes dos distritos 5 e 6. “Essa conquista representa o reconhecimento do protagonismo estudantil, da investigação científica, e da capacidade de nossos estudantes em articularem as atividades curriculares e suas experiências aos contextos e realidades sociais que constituem o mundo vivido”, considera.
Participação das escolas
A representação de Fortaleza na Feira estadual alcançou sete escolas municipais selecionadas em etapas anteriores, totalizando cerca de 21 estudantes do Ensino Fundamental do 5º ao 9º ano que tiveram a oportunidade de serem protagonistas infanto-juvenis de uma cultura científica na Educação Básica. Para Nara Moraes, a participação dos alunos nesta etapa estadual evidencia que a escola pública produz ciência, inovação e transformação social. “É reflexo de um trabalho coletivo desenvolvido pelas escolas, professores e equipes pedagógicas. Esperamos que essa experiência continue inspirando novas descobertas e fortalecendo a cultura científica em nossa rede”, comemora.
