Há pouco mais de um ano, a vida de Alessandra Ramires, de 51 anos, mudou. Ela sofreu uma queda da própria altura e teve seis vértebras da coluna fraturadas e precisou passar por uma cirurgia de urgência no Instituto Dr. José Frota (IJF), unidade de referência em traumas de alta complexidade da Prefeitura de Fortaleza. Com o procedimento emergencial, a paciente colocou duas placas e doze parafusos para ajudar em sua recuperação.
Mesmo com a cirurgia, devido à complexidade do trauma, Alessandra desenvolveu dor crônica na região da coluna, além de já apresentar uma comorbidade por conta de uma artrose. Após alta hospitalar, a paciente segue em acompanhamento há mais de oito meses pela Comissão Multidisciplinar de Tratamento de Dor do IJF (CTDor), serviço especializado que atende dois perfis de pacientes: aqueles em nível ambulatorial — já com alta hospitalar, mas que precisam de continuidade no tratamento — e os que ainda permanecem internados.
Dor crônica
Em junho deste ano, entrou em vigor a Lei 15.422/2026, que institui o dia 5 de julho como data de Conscientização e Enfrentamento da Dor Crônica. De acordo com a Associação Internacional para Estudo da Dor, é considerado uma dor crônica aquela com duração maior que 90 dias. Segundo a Sociedade Brasileira de Estudos da Dor, a condição atinge cerca de 60 milhões de pessoas no Brasil. Nesse âmbito, o IJF tem reforçado o serviço especializado com intuito de ajudar no controle da dor, na funcionalidade e qualidade de vida. Por meio de bloqueios de dor, minimamente invasivos, são realizados injeções com medicamentos com efeito anestésico e/ou anti-inflamatórios diretamente na estrutura lesada ou ao redor do nervo, possibilitando o alívio da dor.
Para a paciente Alessandra, o acompanhamento por meio de bloqueios no sistema nervoso periférico estão trazendo mais qualidade de vida. “Quando tive alta da cirurgia, fui informada pela equipe médica do acompanhamento para a dor e, Graças a Deus e à equipe de profissionais do IJF, tenho a oportunidade de realizar esse procedimento. Quando comecei a ser atendida no ambulatório, vinha semanalmente ao hospital. Agora, com o controle da dor, realizo o procedimento apenas uma vez por mês. Este é um trabalho lindo e que ajuda muitas pessoas que sofrem com dores”, relata a paciente do CTDor.
Balanço
De janeiro a junho deste ano, o CTDor já realizou mais de 540 procedimentos e mais de 1.500 consultas, entre pacientes internados e eletivos, via ambulatório. O tratamento integra diferentes especialidades, como médicos, enfermeiros, psicólogos e equipe multiprofissional, ampliando o acesso ao tratamento de dores.
De acordo com Samantha Adolphsson, coordenadora do CTDor do IJF, o acompanhamento é realizado de forma individualizada, incluindo avaliação clínica, tratamento medicamentoso e procedimentos, indicados de acordo com a necessidade de cada paciente. “Somos um hospital de grandes traumas, portanto, muitos pacientes acabam tendo sequelas físicas e motoras devido ao acidente sofrido. Entre as principais condições que acompanhamos aqui, estão as dores recorrentes de trauma raquimedular, síndrome do membro fantasma, artrose, hérnia de disco, cefaleias, dores pós-operatórias, entre outras. Também estamos fortalecendo o serviço através de mutirões de procedimentos. No último fim de semana, mais de 35 pacientes foram contemplados com o bloqueio da dor”, pontua a coordenadora do serviço.
