O Instituto Dr. José Frota (IJF), hospital referência em traumas de alta complexidade da Prefeitura de Fortaleza, realizou, no último sábado (15/08), o segundo procedimento de aplicação de polilaminina em um paciente com lesão na medula espinhal. O procedimento foi realizado em um homem de 27 anos, vítima de trauma raquimedular, que deu entrada na unidade no dia 11 de agosto de 2026, já com quadro de paraplegia.
Após a realização de exames de imagem, a equipe médica identificou uma lesão completa na medula na altura da sexta vértebra torácica (T6). O caso foi classificado como ASIA-A, avaliação utilizada pelos profissionais de saúde para indicar uma lesão medular completa, quando não há movimentos ou sensibilidade abaixo do nível da lesão.
O paciente foi submetido à aplicação da polilaminina diretamente na região da medula afetada, por meio de uma cirurgia aberta. O procedimento durou aproximadamente uma hora e foi realizado sem intercorrências. A aplicação contou com a participação de uma equipe multiprofissional, formada por neurocirurgiões, anestesista, enfermeiros, técnicos de enfermagem e de radiologia, médicos residentes, entre outros profissionais. A previsão é de que o paciente receba alta 48 horas após o procedimento, conforme avaliação da equipe médica.
Este é o segundo paciente atendido pelo IJF dentro do protocolo de uso da polilaminina. A primeira aplicação foi realizada em 23 de maio deste ano, em um paciente de 20 anos com lesão na região da vértebra T8, marcando o primeiro procedimento do tipo realizado em uma unidade do Sistema Único de Saúde (SUS) no Ceará.
A nova aplicação ocorreu em um intervalo menor entre a admissão do paciente e a realização do procedimento. Enquanto o primeiro caso demandou um período maior para avaliação e organização do protocolo inicial, o segundo paciente, admitido no hospital em 11 de agosto, recebeu a polilaminina apenas quatro dias depois.
“O paciente segue sendo acompanhado pela equipe do IJF após a aplicação. Inicialmente, o monitoramento será diário durante a internação. Depois da alta, estão previstas avaliações a cada 15 dias e, até o terceiro mês, consultas mensais. Após esse período, o acompanhamento será realizado a cada seis meses”, explica o neurocirurgião Lucas Chaves, responsável pelo processo no IJF. Ainda segundo o profissional, esse monitoramento é importante para que se possa observar a evolução do paciente ao longo do tempo e registrar possíveis mudanças relacionadas ao tratamento.
A polilaminina ainda está em fase de testes para avaliar seu potencial na recuperação de lesões na medula espinhal. A substância, produzida pelo Laboratório Cristália em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), busca estimular novas conexões entre células nervosas e , futuramente, contribuir para a recuperação de movimentos e outras funções. O uso neste caso foi autorizado pela Anvisa em caráter especial, seguindo critérios clínicos definidos para cada paciente, como idade, tempo de lesão, doenças associadas e estado de saúde.
