06 de Abril de 2026 em Fortaleza IMPRIMIR

Medalha Iracema: Nirez, de colecionador de histórias a guardião da memória de Fortaleza

O fotógrafo, jornalista, colecionador e pesquisador Miguel Ângelo de Azevedo, o Nirez, já viu Fortaleza mudar muitas vezes, e fez da preservação dessa história uma missão de vida


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Nirez sentado numa das salas de sua casa
“Parece incrível, mas eu já fui pequenininho. Quando nasci eu era pequenininho, bem branquinho e louro, aí me apelidaram de Inglês. Mas sabe como são os adultos, não falam direito com as crianças, e terminou em Nirez”, conta Nirez (Fotos: Tainá Cavalcante)

Aos 92 anos, cresce junto com Fortaleza um menino que coleciona histórias, povoando a casa de memórias e amores inexplicáveis. Nirez está entre as quatro pessoas e instituições homenageadas com a Medalha Iracema em 2026. A comenda será entregue na próxima sexta-feira (10/4), no Cineteatro São Luiz, como parte das celebrações dos 300 anos de Fortaleza, que serão completados no próximo 13 de abril.

Quando Nirez nasceu, em 15 de maio de 1934, Fortaleza já contava 208 anos, o pai dele, Otacílio Ferreira de Azevedo, era pintor, fotógrafo e poeta; a mãe, Tereza Almeida de Azevedo, era também artista. E o destino do menino talvez já estivesse traçado: olhar para as memórias de seu povo e fazer delas a companhia para uma vida longeva. A cidade completa três séculos, e o fotógrafo, jornalista, colecionador e pesquisador Miguel Ângelo de Azevedo a viu mudar muitas vezes, guardando memórias táteis dos tempos que escorrem pelos dedos.

No ano em que ele nasceu, também ocorreu a fundação da Abafilm, um dos mais tradicionais laboratórios fotográficos da cidade, onde dona Tereza viria a trabalhar retocando negativos. “Era o photoshop de antigamente”, brinca Nirez enquanto reconhece o quinhão de influência da mãe na sua formação. A empresa esteve presente na história da família em outros momentos e contribuiu para a ampliação do acervo do pesquisador, ao se desfazer dos arquivos de sua sede no Centro, décadas depois.

O apelido pelo qual Miguel Ângelo é mais conhecido vem de pequeno, do nosso jeito de falar que transforma palavras como “inglês” em Nirez. Cearense, o menino era associado aos estrangeiros por ter a pele muito branca. “Parece incrível, mas eu já fui pequenininho. Quando nasci eu era pequenininho, bem branquinho e louro, aí me apelidaram de Inglês. Mas sabe como são os adultos, não falam direito com as crianças, e terminou em Nirez”, conta.

Nirez ao lado de dois gramofones numa das salas de sua casa
“A gente rodava a manivela e botava o disco para tocar. Então eu me lembrava de muitas músicas daquela época, de 1937, 1938, 1939 até 1940. Eu gostava muito dessas músicas.”

Ao completar 20 anos, em 1954, Nirez ganhou de presente de um vizinho um toca-discos. “Naquela época se chamava picape. Ele não tinha amplificação, mas eu injetava em um rádio do meu irmão”, relembra. Com ele, o passeio pelos tempos pode ser trilhado no acervo da memória e da casa, na qual abundam aparelhos de som de diversas épocas.

O toca-discos traz lembranças mais antigas, do gramofone e dos discos que o pai dele tinha quando Nirez era criança. “A gente rodava a manivela e botava o disco para tocar. Então eu me lembrava de muitas músicas daquela época, de 1937, 1938, 1939 até 1940. Eu gostava muito dessas músicas.” Quando começou a comprar e colecionar discos, em 54, foi buscar os sons do gramofone, as canções da infância, vozes como as de Orlando Silva, Silvio Caldas e Carmen Miranda.

Em paralelo ao crescimento do arquivo, a carreira também começou a se estruturar na década de 50. Em 1953, Rubens, irmão de Nirez, mudou-se para São Paulo, mas sua freguesia continuou indo a casa da família em busca dos desenhos publicitários que ele fazia. “Quando não encontravam ele, perguntavam se eu desenhava, e eu dizia que sim. Eu não desenhava nada, mas peguei as encomendas e fui aprendendo a desenhar com elas.”

Nos anos seguintes, a experiência lhe rendeu trabalhos de desenhista no Jornal O Povo, e um cargo de desenhista técnico concursado do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs). O interesse pelos discos o levou a colecionar fotografias, revistas e livros que revelavam histórias de cantores e compositores. Afinado pelas pesquisas, Nirez começou a escrever artigos para a Tribuna do Ceará, e, por volta de 1959, para O Povo.

“Continuei a desenhar, a escrever e a colecionar. Eu sempre tive mania de coleção”. Nirez resume o gosto infindável que o acompanha desde a meninice: figurinhas de pacotes de bombom, carteiras de cigarro, caixas de fósforo, discos, revistas, livros, fotos, rádios, vitrolas, câmeras, telefones, máquinas de escrever, cadeiras de cinema, a antiga penteadeira da sogra... Os nomes de todos os visitantes da casa-arquivo assinados e datados em um livro disposto sobre a mesa. Tudo o que vale a pena guardar.

“Eu fui colecionando sem pretensões de nada. Sem pensar no futuro. Colecionava o que eu tinha possibilidade de possuir. Quando tinha uns 900 e tantos discos, eu me interessei em saber quem eram aqueles elementos que cantavam, que gravavam, que acompanhavam, que compunham. Então procurei biografias, livros, revistas e jornais que falavam a respeito da música popular. Nessa busca, eu comecei a ver a fisionomia dessas pessoas, e me interessei em colecionar também fotos”. Nirez relembra.

Nirez sentado em sua sala na frente de suas estantes de discos
Para ele, o tamanho do arquivo é “imensurável”, não somente pelo valor, mas também pela constante atualização. “Eu sei que eu tenho mais de 47 mil fotos, mais de 19.800 discos”, calcula

Foi em meio às buscas por registros visuais de personalidades da música popular que lhe “caíram nas mãos” muitas fotografias e postais da Fortaleza antiga. Porque uma história chama outra, Nirez começou a perguntar ao próprio pai sobre o que via nas imagens, e esses aprendizados despertaram a vontade de colecionar fotografias da cidade.

Para ele, o tamanho do arquivo é “imensurável”, não somente pelo valor, mas também pela constante atualização. “Eu sei que eu tenho mais de 47 mil fotos, mais de 19.800 discos”, calcula. “Quando uma pessoa me relembra a quantidade de fotos que eu tenho, de músicas, quando eu penso nisso tudo, eu fico até impressionado. Como é que eu consegui chegar aqui?”

Desde 1959, os passos que preenchiam cada canto da casa com memórias foram dados ao lado de Maria Zenita Rodrigues de Azevedo, a quem ele continuou chamando de namorada mesmo após sua morte, quando já somavam 59 anos de união. De tamanha presença, o apelido Nirez nomeou o terceiro dos quatro filhos do casal. Terezinha, a mais velha, tornou-se bibliotecária; Otacílio, radialista; Nirez, escritor, pesquisador e gestor de arquivo; e Mário, secretário do próprio Nirez. Cada um, à sua maneira, seguiu caminhos que dialogam com a trajetória do pai. “Eu vivia nesse ambiente de jornal, Dnocs e música, e meus filhos foram criados nesse ambiente”, explica.

À medida que a família crescia e se estruturava o arquivo, aumentava também o amor por Fortaleza. “O amor natural que a gente tem à terra da gente, eu já tinha. Mas ele cresceu com o conhecimento. Essas coisas que mudavam, os prédios antigos que eram derrubados, as coisas que doíam profundamente”, reflete.

Nirez sentado na sua escrivaninha na frente do computador
Na casa-arquivo, Nirez se senta diante do computador enquanto mostra fotos antigas e imagens feitas com inteligência artificial

Na Fortaleza de Nirez, o que há de mais bonito é o talento do povo para acolher. “Os cearenses gostam de recepcionar bem, de servir. Isso é o que de mais importante temos na nossa cidade”. Na fala, ele desenha o mapa dos caminhos e dos sentidos para a benquerença pela terrinha, ao mesmo tempo em que defende a natureza inexplicável do sentimento. “Ah, amor não se explica, amor não tem tradução”.

De toda forma, a memória tem o poder de semear, enraizar e nutrir afetos. “Eu acredito que a pessoa que vê essas fotografias de Fortaleza antiga, que lê e ouve falar sobre a cidade, de quando ela completou 200, 250, e, agora, 300 anos, a pessoa passa a se interessar de qualquer maneira pela cidade. Uns mais, outros menos. O que se faz sobre Fortaleza, sejam músicas, crônicas, ou histórias, isso vai impregnando nas gerações, para esse amor não morrer”.

Para a Fortaleza que celebra 300 anos neste 13 de abril, homenagear Nirez com a Medalha Iracema é destacar o valor da memória e de um de seus mais dedicados guardiões. Para ele, a comenda reafirma seu dever. “A cada homenagem que se recebe, cresce a responsabilidade. Quando a pessoa me dá uma medalha, acho que eu sou capaz daquilo. Então eu tenho que continuar provando que sou capaz”, mas, na insistência da pergunta, brilha por um instante o olho do menino que gostava de colecionar as belezas do mundo: “é bom ser reconhecido, é muito bom”.

Para a cidade, ele deseja um futuro promissor, que Fortaleza cresça e apareça cada vez mais. Ele estará aqui, lidando como sempre fez com as mudanças nas ruas e com as novas tecnologias. Na casa-arquivo em que coexistem gramofones, celulares, rádios à manivela, fones bluetooth e as primeiras cadeiras do Cineteatro São Luiz, Nirez se senta diante do computador e responde enquanto mostra fotos antigas e imagens feitas com inteligência artificial: “a gente vai acompanhando”. 

Medalha Iracema: Nirez, de colecionador de histórias a guardião da memória de Fortaleza

O fotógrafo, jornalista, colecionador e pesquisador Miguel Ângelo de Azevedo, o Nirez, já viu Fortaleza mudar muitas vezes, e fez da preservação dessa história uma missão de vida

Nirez sentado numa das salas de sua casa
“Parece incrível, mas eu já fui pequenininho. Quando nasci eu era pequenininho, bem branquinho e louro, aí me apelidaram de Inglês. Mas sabe como são os adultos, não falam direito com as crianças, e terminou em Nirez”, conta Nirez (Fotos: Tainá Cavalcante)

Aos 92 anos, cresce junto com Fortaleza um menino que coleciona histórias, povoando a casa de memórias e amores inexplicáveis. Nirez está entre as quatro pessoas e instituições homenageadas com a Medalha Iracema em 2026. A comenda será entregue na próxima sexta-feira (10/4), no Cineteatro São Luiz, como parte das celebrações dos 300 anos de Fortaleza, que serão completados no próximo 13 de abril.

Quando Nirez nasceu, em 15 de maio de 1934, Fortaleza já contava 208 anos, o pai dele, Otacílio Ferreira de Azevedo, era pintor, fotógrafo e poeta; a mãe, Tereza Almeida de Azevedo, era também artista. E o destino do menino talvez já estivesse traçado: olhar para as memórias de seu povo e fazer delas a companhia para uma vida longeva. A cidade completa três séculos, e o fotógrafo, jornalista, colecionador e pesquisador Miguel Ângelo de Azevedo a viu mudar muitas vezes, guardando memórias táteis dos tempos que escorrem pelos dedos.

No ano em que ele nasceu, também ocorreu a fundação da Abafilm, um dos mais tradicionais laboratórios fotográficos da cidade, onde dona Tereza viria a trabalhar retocando negativos. “Era o photoshop de antigamente”, brinca Nirez enquanto reconhece o quinhão de influência da mãe na sua formação. A empresa esteve presente na história da família em outros momentos e contribuiu para a ampliação do acervo do pesquisador, ao se desfazer dos arquivos de sua sede no Centro, décadas depois.

O apelido pelo qual Miguel Ângelo é mais conhecido vem de pequeno, do nosso jeito de falar que transforma palavras como “inglês” em Nirez. Cearense, o menino era associado aos estrangeiros por ter a pele muito branca. “Parece incrível, mas eu já fui pequenininho. Quando nasci eu era pequenininho, bem branquinho e louro, aí me apelidaram de Inglês. Mas sabe como são os adultos, não falam direito com as crianças, e terminou em Nirez”, conta.

Nirez ao lado de dois gramofones numa das salas de sua casa
“A gente rodava a manivela e botava o disco para tocar. Então eu me lembrava de muitas músicas daquela época, de 1937, 1938, 1939 até 1940. Eu gostava muito dessas músicas.”

Ao completar 20 anos, em 1954, Nirez ganhou de presente de um vizinho um toca-discos. “Naquela época se chamava picape. Ele não tinha amplificação, mas eu injetava em um rádio do meu irmão”, relembra. Com ele, o passeio pelos tempos pode ser trilhado no acervo da memória e da casa, na qual abundam aparelhos de som de diversas épocas.

O toca-discos traz lembranças mais antigas, do gramofone e dos discos que o pai dele tinha quando Nirez era criança. “A gente rodava a manivela e botava o disco para tocar. Então eu me lembrava de muitas músicas daquela época, de 1937, 1938, 1939 até 1940. Eu gostava muito dessas músicas.” Quando começou a comprar e colecionar discos, em 54, foi buscar os sons do gramofone, as canções da infância, vozes como as de Orlando Silva, Silvio Caldas e Carmen Miranda.

Em paralelo ao crescimento do arquivo, a carreira também começou a se estruturar na década de 50. Em 1953, Rubens, irmão de Nirez, mudou-se para São Paulo, mas sua freguesia continuou indo a casa da família em busca dos desenhos publicitários que ele fazia. “Quando não encontravam ele, perguntavam se eu desenhava, e eu dizia que sim. Eu não desenhava nada, mas peguei as encomendas e fui aprendendo a desenhar com elas.”

Nos anos seguintes, a experiência lhe rendeu trabalhos de desenhista no Jornal O Povo, e um cargo de desenhista técnico concursado do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs). O interesse pelos discos o levou a colecionar fotografias, revistas e livros que revelavam histórias de cantores e compositores. Afinado pelas pesquisas, Nirez começou a escrever artigos para a Tribuna do Ceará, e, por volta de 1959, para O Povo.

“Continuei a desenhar, a escrever e a colecionar. Eu sempre tive mania de coleção”. Nirez resume o gosto infindável que o acompanha desde a meninice: figurinhas de pacotes de bombom, carteiras de cigarro, caixas de fósforo, discos, revistas, livros, fotos, rádios, vitrolas, câmeras, telefones, máquinas de escrever, cadeiras de cinema, a antiga penteadeira da sogra... Os nomes de todos os visitantes da casa-arquivo assinados e datados em um livro disposto sobre a mesa. Tudo o que vale a pena guardar.

“Eu fui colecionando sem pretensões de nada. Sem pensar no futuro. Colecionava o que eu tinha possibilidade de possuir. Quando tinha uns 900 e tantos discos, eu me interessei em saber quem eram aqueles elementos que cantavam, que gravavam, que acompanhavam, que compunham. Então procurei biografias, livros, revistas e jornais que falavam a respeito da música popular. Nessa busca, eu comecei a ver a fisionomia dessas pessoas, e me interessei em colecionar também fotos”. Nirez relembra.

Nirez sentado em sua sala na frente de suas estantes de discos
Para ele, o tamanho do arquivo é “imensurável”, não somente pelo valor, mas também pela constante atualização. “Eu sei que eu tenho mais de 47 mil fotos, mais de 19.800 discos”, calcula

Foi em meio às buscas por registros visuais de personalidades da música popular que lhe “caíram nas mãos” muitas fotografias e postais da Fortaleza antiga. Porque uma história chama outra, Nirez começou a perguntar ao próprio pai sobre o que via nas imagens, e esses aprendizados despertaram a vontade de colecionar fotografias da cidade.

Para ele, o tamanho do arquivo é “imensurável”, não somente pelo valor, mas também pela constante atualização. “Eu sei que eu tenho mais de 47 mil fotos, mais de 19.800 discos”, calcula. “Quando uma pessoa me relembra a quantidade de fotos que eu tenho, de músicas, quando eu penso nisso tudo, eu fico até impressionado. Como é que eu consegui chegar aqui?”

Desde 1959, os passos que preenchiam cada canto da casa com memórias foram dados ao lado de Maria Zenita Rodrigues de Azevedo, a quem ele continuou chamando de namorada mesmo após sua morte, quando já somavam 59 anos de união. De tamanha presença, o apelido Nirez nomeou o terceiro dos quatro filhos do casal. Terezinha, a mais velha, tornou-se bibliotecária; Otacílio, radialista; Nirez, escritor, pesquisador e gestor de arquivo; e Mário, secretário do próprio Nirez. Cada um, à sua maneira, seguiu caminhos que dialogam com a trajetória do pai. “Eu vivia nesse ambiente de jornal, Dnocs e música, e meus filhos foram criados nesse ambiente”, explica.

À medida que a família crescia e se estruturava o arquivo, aumentava também o amor por Fortaleza. “O amor natural que a gente tem à terra da gente, eu já tinha. Mas ele cresceu com o conhecimento. Essas coisas que mudavam, os prédios antigos que eram derrubados, as coisas que doíam profundamente”, reflete.

Nirez sentado na sua escrivaninha na frente do computador
Na casa-arquivo, Nirez se senta diante do computador enquanto mostra fotos antigas e imagens feitas com inteligência artificial

Na Fortaleza de Nirez, o que há de mais bonito é o talento do povo para acolher. “Os cearenses gostam de recepcionar bem, de servir. Isso é o que de mais importante temos na nossa cidade”. Na fala, ele desenha o mapa dos caminhos e dos sentidos para a benquerença pela terrinha, ao mesmo tempo em que defende a natureza inexplicável do sentimento. “Ah, amor não se explica, amor não tem tradução”.

De toda forma, a memória tem o poder de semear, enraizar e nutrir afetos. “Eu acredito que a pessoa que vê essas fotografias de Fortaleza antiga, que lê e ouve falar sobre a cidade, de quando ela completou 200, 250, e, agora, 300 anos, a pessoa passa a se interessar de qualquer maneira pela cidade. Uns mais, outros menos. O que se faz sobre Fortaleza, sejam músicas, crônicas, ou histórias, isso vai impregnando nas gerações, para esse amor não morrer”.

Para a Fortaleza que celebra 300 anos neste 13 de abril, homenagear Nirez com a Medalha Iracema é destacar o valor da memória e de um de seus mais dedicados guardiões. Para ele, a comenda reafirma seu dever. “A cada homenagem que se recebe, cresce a responsabilidade. Quando a pessoa me dá uma medalha, acho que eu sou capaz daquilo. Então eu tenho que continuar provando que sou capaz”, mas, na insistência da pergunta, brilha por um instante o olho do menino que gostava de colecionar as belezas do mundo: “é bom ser reconhecido, é muito bom”.

Para a cidade, ele deseja um futuro promissor, que Fortaleza cresça e apareça cada vez mais. Ele estará aqui, lidando como sempre fez com as mudanças nas ruas e com as novas tecnologias. Na casa-arquivo em que coexistem gramofones, celulares, rádios à manivela, fones bluetooth e as primeiras cadeiras do Cineteatro São Luiz, Nirez se senta diante do computador e responde enquanto mostra fotos antigas e imagens feitas com inteligência artificial: “a gente vai acompanhando”.