“Eu não conhecia a doença, então foi um susto quando tive o resultado do diagnóstico positivo. A médica do posto disse que eu estava com hanseníase.” O relato é da moradora de Fortaleza, Maria de Jesus de Lima, 48 anos.
Maria decidiu procurar atendimento médico quando notou uma mancha vermelha na pele. Com a orientação necessária, realizou uma avaliação neurodermatológica, e o diagnóstico de hanseníase foi concluído. A equipe médica que a acompanhava orientou o início do tratamento de forma imediata.
A transmissão da hanseníase ocorre por meio de espirros, tosse, fala e contato prolongado com uma pessoa infectada. A maneira mais eficaz de identificar a doença é por meio de exames dermatológicos e neurológicos, que analisam as alterações na pele e a mudança de sensibilidade.
Atualmente, mesmo curada da hanseníase, Maria de Jesus segue com acompanhamento do posto de saúde. Seus filhos fizeram teste rápido e também foram diagnosticados com a doença. Porém, todos fizeram tratamento na Rede Municipal de Saúde e já estão curados. Maria relata ainda que tinha vergonha de sair de casa devido aos olhares das pessoas.
“Eu só saía durante a noite e ia à igreja. Quando a médica disse que eu estava curada, depois de fazer todo o tratamento, foi uma satisfação muito grande”, menciona Maria de Jesus ao relembrar o período de tratamento, que durou cinco meses.
Balanço de atendimento
A Prefeitura de Fortaleza oferta atendimento gratuito para casos suspeitos da hanseníase nos 134 postos de saúde. Em 2025, foram detectados, na Capital, 224 casos positivos para a doença, 89 casos a menos se comparado ao ano anterior, uma redução de 28%. Para 2026, o planejamento das equipes de saúde é ampliar o diagnóstico precoce.
O coordenador da Atenção Primária à Saúde de Fortaleza, Erlemus Soares, informa que as atividades realizadas em alusão ao Janeiro Roxo estão alinhadas à promoção do “acesso ao bem-estar de qualidade para todos os cidadãos”. Segundo ele, a busca pelo exame e a análise adequada da doença são fundamentais para alcançar a cura. “A partir do início do tratamento, o paciente deixa de transmitir a doença.”
Janeiro Roxo
Visando ampliar a conscientização e incentivar o diagnóstico precoce, o Ministério da Saúde (MS) oficializou janeiro como o mês dedicado ao enfrentamento da hanseníase. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2025, o Brasil foi o segundo país com maior número de diagnósticos.
Causada pela bactéria Mycobacterium leprae, a hanseníase atinge a pele, provocando manchas brancas, avermelhadas, acastanhadas ou amarronzadas, além de alterações na sensibilidade da região afetada. Caroços (nódulos) pelo corpo também são sintomas da doença. A hanseníase pode atingir ainda os nervos, causando dormência, sensação de formigamento e fisgadas.
De acordo com a auxiliar de laboratório Claudia de Sousa Lima, do posto de saúde Hélio Góes, no bairro Sapiranga, gerida pelo Instituto de Saúde e Gestão Hospitalar (ISGH), se for necessário exame laboratorial complementar o paciente não precisa estar em jejum, pelo contrário, precisa estar bem alimentado. “Muitos pacientes não sabem que precisam vir alimentados e ficam em jejum, o que pode acarretar um pouco de mal-estar. Aqui no Hélio tentamos acomodar o paciente da melhor forma, orientá-los e dar um espaço para ele se preparar para a coleta”, explica.
O encaminhamento para a coleta é feito, por meio de consulta médica no posto de saúde. Após a análise de possíveis sintomas característicos, como alterações na pele, manchas e lesões, alteração de sensibilidade ou dor, o profissional direciona para a coleta de material para descartar a suspeita.
