Patricia

No próximo dia 15 de abril, Fortaleza dá um passo decisivo na consolidação de direitos fundamentais. O Seminário de Elaboração do Plano Fortaleza + de Políticas Públicas para a População LGBTQIA+ reunirá gestores públicos e sociedade civil para desenhar as metas e ações que guiarão a capital cearense nos próximos anos.

Promovido pela Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual, vinculada à Secretaria dos Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SDHDS), em parceria com o Conselho Municipal de Promoção dos Direitos LGBTQIA+, o encontro acontece no Auditório do Sebrae, no Centro, das 8 horas às 17 horas.

O seminário surge como um espaço estratégico de "escuta qualificada". O objetivo central é coletar subsídios, debater prioridades e definir as bases do Plano Fortaleza +, instrumento essencial para garantir que as políticas públicas alcancem, de fato, quem mais precisa.

A iniciativa marca a retomada da agenda participativa na cidade, suprindo a lacuna deixada pela não realização da Conferência Municipal e a necessidade urgente de atualizar o plano anterior. “A proposta é reconstruir, de forma democrática e intersetorial, as bases das políticas locais, ampliando o acesso a direitos e enfrentando as violências de forma direta", destaca o coordenador municipal da Diversidade Sexual, Narciso Júnior.

O evento é aberto a representantes de movimentos sociais, entidades de classe, lideranças comunitárias e cidadãos interessados na pauta da diversidade. As inscrições já estão abertas e podem ser realizadas de forma gratuita através do formulário on-line.

Serviço
Seminário de Elaboração do Plano Fortaleza + (Políticas Públicas LGBTQIA+)
Data: 15 de abril
Horário: 8h às 17h
Local: Auditório do Sebrae (Av. Monsenhor Tabosa, 777 – Centro)
Formulário de inscrições

Dando continuidade às celebrações dos 300 anos da capital, a Prefeitura de Fortaleza promove, sábado e domingo (11 e 12/4), a Feira 300. O evento ocupará a orla da Praia de Iracema com um festival de economia criativa e gastronomia, unindo a produção artesanal local aos sabores tradicionais que marcam a identidade culinária da cidade. O evento é realizado pela Secretaria Municipal do Turismo (Setfor), com apoio das secretarias municipais do Desenvolvimento Econômico (SDE) e da Cultura (Secultfor), em parceria com o Instituto Cultural Iracema (ICI), por meio do Programa Fortaleza Cidade Criativa do Design - Unesco, a Associação Ceará Design e a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel).

A Feira 300 foi idealizada como uma vitrine da diversidade local, oferecendo ao público uma imersão nos "sabores de Fortaleza". O evento contará com 100 expositores, que mostrarão ao público uma diversidade de produtos que representam a cultura cearense, como crochê, bordado, renda, bonecas de pano, acessórios em prata e elementos de design autoral. A lista inclui feiras populares que já se tornaram tradicionais em Fortaleza, como a Chamego Feira, Feira Negra, Feira Afeto e Feira DesignFOR. O espaço também contará com um stand da ArteFor, onde artesãos que participam do programa poderão exibir e produzir ao vivo as suas artes.

Além das compras, a experiência será enriquecida por uma tenda gastronômica exclusiva, com curadoria da Abrasel. Dez expositores estarão presentes, mostrando o melhor da nossa culinária regional. A Feira também terá um espaço reservado para a memória da cidade, com uma exibição de fotos e informações sobre a história de Fortaleza no pátio interno do Estoril, primeira casa de praia da orla cearense.

A programação musical será um capítulo à parte, privilegiando o talento de artistas da nossa terra. No sábado, dia 11 de abril, o clima de celebração será comandado pelo ritmo contagiante do Samba Maioral e pela musicalidade de Belinho da Silva. Já no domingo, dia 12 de abril, a trilha sonora do pôr do sol na Praia de Iracema ficará por conta das vozes potentes de Theresa Rachel e da Cantora Vits, garantindo o encerramento do fim de semana com o melhor da cena artística local.

A secretária municipal do Turismo, Denise Carrá, destaca que o evento foi pensado para ser um presente acessível e vibrante para a população. "A Feira 300 é a celebração do nosso 'saber fazer'. Queremos que a Praia de Iracema seja ocupada por famílias que desejam celebrar Fortaleza através da gastronomia e da música, valorizando o talento de quem faz essa cidade acontecer todos os dias. É um momento de orgulho e de fomento à nossa economia criativa", pontua a secretária.

O festival integra o calendário especial de aniversário, que se estende por todo o mês, reafirmando o compromisso da gestão em promover eventos que unam lazer, cultura e desenvolvimento econômico em espaços públicos emblemáticos da cidade.

Serviço
Feira 300 – Gastronomia e Economia Criativa
Data: 11 e 12/4 (sábado e domingo)
Horário: das 16h às 22h
Local: Calçadão da Praia de Iracema (próximo ao Estoril)
Programação Musical:
Sábado: Samba Maioral e Belinho da Silva
Domingo: Theresa Rachel e Cantora Vits

Fortaleza está em processo de adesão ao Programa Nacional de Gestão de Custos (PNGC). A iniciativa do Ministério da Saúde contribui diretamente para a melhoria do atendimento à população ao promover o uso mais eficiente dos recursos, reduzir desperdícios e qualificar os serviços ofertados na rede municipal da saúde.

Técnicos da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) estão sendo capacitados pela articuladora de custos do Ministério da Saúde, Ana Luísa Miranda, com o objetivo de ampliar a eficiência dos gastos públicos e dos serviços ofertados à população nas unidades de saúde.

“Na prática, o que a gente quer aqui é mostrar que gestão de custos não é algo distante da realidade das unidades. Pelo contrário, ela faz parte do dia a dia. Quando o profissional entende melhor como esses custos funcionam, ele consegue organizar melhor o serviço, otimizar recursos e, no fim, melhorar o atendimento que chega lá na ponta, para a população”, destaca Ana Luísa Miranda.

A gestão de custos é considerada uma estratégia essencial para o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), pois impacta diretamente o cotidiano dos usuários. Entre os principais benefícios estão atendimentos mais ágeis, maior disponibilidade de insumos e uma rede mais preparada para atender às demandas da população.

“Quando investimos na qualificação dos serviços, investimos também na melhoria do SUS. Trabalhar a gestão de custos é fundamental para ampliar a eficiência dos serviços, garantindo um atendimento cada vez mais digno e de qualidade para a população”, afirma a secretária da Saúde, Riane Azevedo.

Capacitação e novas ferramentas

Durante a programação, estão sendo abordados conteúdos teóricos e práticos, com foco na apuração e organização de custos, nder às necessidades da população.

Programação

Durante a implantação do programa Ana Luísa está apresentando conteúdos teóricos e práticos, com foco na apuração de custos, organização de centros de custos, aplicação de metodologias como o custeio por absorção e orientações que permitem a aplicação direta dos conhecimentos no cotidiano das unidades.

Ao final da capacitação, nesta quinta-feira (09/4), o Ministério da Saúde disponibilizará uma ferramenta virtual que permite ao município acompanhar e gerenciar, de forma mais estratégica, suas informações de custos, contribuindo para análises mais precisas, maior transparência e apoio qualificado à tomada de decisão.

Em homenagem aos 300 anos de Fortaleza, o dia 13 de abril de 2026 será feriado municipal na capital cearense. O projeto de lei foi encaminhado pelo prefeito Evandro Leitão e aprovado Câmara Municipal nesta terça-feira (07/4).

A medida prevê a suspensão das atividades para toda a população, incluindo trabalhadores do setor privado, comércio e serviços, permitindo ampla participação nas comemorações da data histórica.

“Trata-se de uma ocasião singular, que merece ser celebrada com a devida magnitude, promovendo a união da comunidade e o resgate de nossa memória coletiva”, destacou o prefeito na justificativa do projeto de lei.

A lei reconhece o tricentenário como um marco de grande valor cultural e social para os fortalezenses e reforça o compromisso de envolver a população na programação especial organizada para a data.

As celebrações incluem uma série de shows no domingo (12/4), distribuídos em três polos — Aterro da Praia de Iracema, Jangurussu e Granja Portugal. Já na segunda-feira (13/4), a programação segue com apresentações musicais e intervenções artísticas na Praia de Iracema.

Programação especial dos 300 anos

A celebração especial tem início no dia 10 de abril e se segue por quatro dias. A abertura contará com a entrega da Medalha Iracema, homenagem a personalidades que contribuíram de forma relevante para a história da cidade.

A programação inclui ainda a entrega de obras nas áreas de infraestrutura e saúde, a inauguração do Parque Zoobotânico, a realização da I Maratona Internacional de Fortaleza, a Feira 300 e uma série de shows descentralizados em diferentes regiões da cidade.

A Prefeitura de Fortaleza realiza, nesta quinta-feira (9/4), às 14h, no Paço Municipal, a coletiva de imprensa para a apresentação do Plano Operacional da Programação dos 300 Anos de Fortaleza. O momento inclui as apresentações dos planos para os shows do Aniversário e para a Maratona de Fortaleza. Durante o evento, autoridades e representantes de diversos órgãos públicos vão detalhar as ações de segurança, transporte, saúde e logística para as celebrações do tricentenário.

No domingo (12/4), Fortaleza contará com três grandes polos de shows simultâneos, iniciando às 18h, e descentralizados. O Aterrinho da Praia de Iracema receberá Marcos Lessa, Superbanda, Alcione, Simone Mendes, Alexandre Pires e Nattan. No bairro Jangurussu, haverá shows de Os Transacionais, Diego Facó, Zé Vaqueiro e Amado Batista. Já no palco da Granja Portugal, a festa fica por conta de Dipas, Laninha Show, Felipe Amorim e Rey Vaqueiro.

Além disso, ainda no domingo, ocorre a Maratona Internacional de Fortaleza, prova inédita que posiciona o município no circuito global das corridas de rua, explorando diferenciais como o litoral, o clima e a liderança da cidade no ranking nacional do Strava de corredores simultâneos. Mais de 10 mil atletas de todo o Brasil já estão inscritos para a prova, com representantes das cinco regiões do Brasil e de oito países: Estados Unidos, Argentina, Portugal, Chile, França, Itália, Reino Unido e Brasil. A realização é das empresas BRB Marketing Esportivo, K1 Sports e 77 Eventos. O evento conta com apoio direto da Prefeitura de Fortaleza, do Governo do Ceará, da Câmara Municipal e da Assembleia Legislativa do Estado.

Serviço
Coletiva do Plano Operacional da Programação dos 300 Anos de Fortaleza
Data: 9/4 (quinta-feira)
Horário: 14h
Local: Paço Municipal (Rua São José, 1 - Centro)

 

alunos em sala de aula
A SME aumentou o número professores do Atendimento Educacional Especializado (AEE) em 50 escolas que contam com o segundo professor para essa modalidade, ampliando o acompanhamento para que cada aluno tenha o suporte necessário

A Prefeitura de Fortaleza, por meio da Secretaria Municipal da Educação (SME), ampliou em 148% o número de assistentes de inclusão escolar nas unidades da Rede Municipal de Ensino. O acréscimo representa um avanço na promoção de um ensino que fortalece o atendimento aos estudantes com autismo.

Em 2025, a rede municipal contava com 1.170 assistentes de inclusão. Atualmente, conta com 2.902, tendo em vista que se faz necessário um atendimento para atender suas necessidades específicas. O número de estudantes com deficiência matriculados na rede chega a 30.799 alunos. Desse total, 25.835 apresentam o Transtorno do Espectro Autista (TEA), o que representa 83% do número de alunos entre o total de pessoas com deficiência na rede.

A SME aumentou o número professores do Atendimento Educacional Especializado (AEE) em 50 escolas que contam com o segundo professor para essa modalidade, ampliando o acompanhamento para que cada aluno tenha o suporte necessário. O mapeamento das escolas foi feito pela SME com base no maior número de matrículas de estudantes do público-alvo do atendimento, tanto na escola quanto na sua área de abrangência.

Profissionais de apoio escolar

Além dos professores de AEE e assistentes de inclusão, a educação de Fortaleza também conta com 715 profissionais de apoio escolar, que acompanham os estudantes com deficiência e autismo que precisam de suporte nas atividades de alimentação, higiene e locomoção.

Outra ação relevante realizada foi a instalação de painéis sensoriais em 420 escolas que auxiliam no desenvolvimento de habilidades sensoriais, motoras e cognitivas e são importantes aliados no processo de regulação emocional de pessoas com TEA.

No ambiente escolar, os abafadores de ruídos são ferramentas de inclusão para muitos estudantes com TEA, pois ajudam a lidar com a hipersensibilidade auditiva, uma característica comum nesse público. Esse recurso de acessibilidade pode fazer grande diferença no processo de aprendizagem. Atenta a essa necessidade, a SME fez a aquisição de mais de 3 mil abafadores de ruídos que auxiliam esses estudantes, pois garantem melhores condições de acesso, permanência e participação no cotidiano escolar.

Adoção de protocolo de prevenção de crise para alunos com TEA

Com o objetivo de orientar a comunidade escolar, a SME lançou em março de 2025 um Protocolo Municipal de Prevenção de Crises de Estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras neurodivergências.

O documento tem como objetivo orientar gestores escolares, coordenadores pedagógicos, professores da sala comum, professores do Atendimento Educacional Especializado (AEE), profissionais de apoio, assistentes de inclusão e demais servidores da rede quanto às estratégias preventivas e aos procedimentos recomendados diante de situações de crises comportamentais no ambiente escolar.

A Prefeitura de Fortaleza, por meio da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SDHDS), está com inscrições abertas para o Serviço Família Acolhedora, iniciativa que busca fortalecer a rede de proteção a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. Com o lema "Acolha por um tempo, transforme para sempre", o programa visa cadastrar novos lares voluntários para oferecer convivência familiar e afeto a jovens que precisaram ser afastados de suas famílias de origem por medida protetiva judicial. Atualmente, a capital cearense conta com 20 famílias cadastradas que garantem o bem-estar de 24 acolhidos, enquanto aguardam a decisão da Justiça sobre o retorno ao núcleo biológico ou o encaminhamento para a adoção.

Diferente da adoção, o acolhimento é uma medida provisória e excepcional, conforme previsto no Artigo 101 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O objetivo central é evitar a institucionalização em abrigos, permitindo que a criança receba atenção individualizada em um ambiente doméstico. Para viabilizar esse suporte, o município oferece benefícios às famílias participantes, incluindo um subsídio mensal de um salário mínimo por acolhido, isenção de Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) do imóvel de residência e o acompanhamento técnico constante de uma equipe multidisciplinar formada por psicólogos e assistentes sociais.

Para se candidatar ao serviço, os interessados devem cumprir critérios específicos: residir em Fortaleza há pelo menos um ano, ter idade mínima de 21 anos (respeitando a diferença de 16 anos em relação ao acolhido) e ter boa saúde. Um requisito fundamental que diferencia este serviço da adoção é que os voluntários não podem ter interesse em adotar nem estarem inscritos no Cadastro Nacional de Adoção, uma vez que a proposta do programa é a transitoriedade e o foco na possível reintegração familiar do jovem. Além disso, é indispensável que todos os membros da residência maiores de 18 anos estejam em comum acordo com a decisão de acolher.

O processo de adesão começa com o preenchimento de um formulário on-line, seguido por uma seleção criteriosa que inclui visitas e entrevistas. Os selecionados devem obrigatoriamente passar por uma preparação técnica, cuja próxima capacitação está agendada para este mês de abril. As inscrições permanecem abertas de forma contínua através dos canais digitais da SDHDS, reafirmando o compromisso da gestão municipal em garantir o direito fundamental à convivência familiar e comunitária para crianças e adolescentes em tempos de crise.

Serviço
Inscrições abertas para o Serviço Família Acolhedora
Formulário de inscrição on-line

prefeito Evandro posa para a foto na frente no painel com as telas do videomonitoramento
“Essa é mais uma ação de parceria e integração entre o Governo do Estado e a Prefeitura de Fortaleza. São 7 mil câmeras, inclusive com integração ao Ciops. Diversas pastas estão reunidas para monitorar a segurança, mas também o descarte irregular de lixo, a fiscalização de trânsito e outras ações”, afirmou Evandro (Fotos: Beatriz Boblitz)

O prefeito Evandro Leitão e o governador do Ceará, Elmano de Freitas, inauguraram, nesta terça-feira (07/04), o Centro Integrado de Videomonitoramento de Fortaleza, localizado no Centro da Capital. O equipamento tem o objetivo de reforçar a segurança pública e centralizar o despacho de ocorrências, agilizando o acionamento das equipes.

Como destacou o prefeito, o equipamento possui acesso a 7 mil câmeras distribuídas em toda a cidade, além de integração com a Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (Ciops).

grupo de pessoas posa para a foto
O governador Elmano de Freitas destacou o impacto do equipamento e da integração entre Prefeitura e Estado na segurança, que já resulta na redução de crimes em Fortaleza

“Essa é mais uma ação de parceria e integração entre o Governo do Estado e a Prefeitura de Fortaleza. São 7 mil câmeras, inclusive com integração ao Ciops. Diversas pastas estão reunidas para monitorar a segurança, mas também o descarte irregular de lixo, a fiscalização de trânsito e outras ações”, afirmou Evandro.

O prefeito também ressaltou as funcionalidades do sistema. “São câmeras com visão de 360 graus. Temos equipamentos auxiliando na segurança de escolas, creches e unidades de saúde. Isso vai dar mais celeridade ao despacho das equipes, trazendo respostas mais assertivas para a população, que é o que mais queremos”.

O centro é equipado com um sistema inteligente de videomonitoramento com 40 telas e com uso de inteligência artificial, além de sala de operações, datacenter, sala de situação, auditório e espaços para treinamento e despacho.

O governador Elmano de Freitas destacou o impacto do equipamento e da integração entre Prefeitura e Estado na segurança, que já resulta na redução de crimes em Fortaleza.

Imagem aberta do centro mostrando videomonitoramento com 40 telas
O centro é equipado com um sistema inteligente de videomonitoramento com 40 telas e com uso de inteligência artificial

“Estamos atuando de forma integrada. Esse trabalho conjunto é fundamental para reduzir os índices de violência em Fortaleza. Inclusive, neste mês de março, registramos uma redução de mais de 60% nos homicídios e de mais de 50% nos roubos”, declarou.

A obra contou com financiamento do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), com investimento de R$ 14 milhões, e foi executada pela Secretaria Municipal da Infraestrutura (Seinf). A inauguração do Centro de Videomonitoramento faz parte do programa FORtaleCE, que reúne ações do Governo do Estado e da Prefeitura de Fortaleza para melhorias na capital cearense.

O coronel Márcio Oliveira, titular da Secretaria Municipal da Segurança Cidadã (Sesec), reforçou a importância da tecnologia na segurança e zeladoria da cidade. “Tudo vai ocorrer de forma rápida. Numa situação que possa ocasionar em crime, acionaremos a viatura mais próxima de forma instantânea, pois o operador de vídeo e o operador de despacho estarão na mesma sala. É por isso que é importante a integração”.

Órgãos com equipes no Centro de Videomonitoramento

O Centro integra diversos órgãos da administração municipal, sendo possível realizar despachos para pastas como Guarda Municipal de Fortaleza, Defesa Civil de Fortaleza (DCFor), Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania (AMC), Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor), Agência de Fiscalização de Fortaleza (Agefis), Secretaria Municipal da Educação (SME), Secretaria Municipal da Saúde (SMS), Secretaria Municipal da Conservação e Serviços Públicos (SCSP), Coordenadoria de Gestão Regional (Coger) e Autarquia de Urbanismo e Paisagismo de Fortaleza (UrbFor).

banner do FORtaleCE
Irmã Conceição sentada numa cadeira na frente de um altar
Religiosa de tradição e prática cotidiana, a família acompanhou com naturalidade a vocação manifestada por Conceição desde pequena. “Não foi difícil eu ser religiosa, porque eu já tinha essa alegria de servir ao próximo. A coisa melhor do mundo é a gente ser feliz fazendo o outro feliz.” (Fotos: Tainá Cavalcante)

Para Maria Conceição Dias de Albuquerque, a irmã Conceição, Fortaleza tem o tamanho do mundo. É, afinal, infinita a cidade que recebe e cuida de crianças e adolescentes que se deslocam do interior do Ceará e de outros estados para fazer tratamentos para câncer e outras doenças. À frente do Lar Amigos de Jesus, a Irmã Conceição está entre as quatro pessoas e instituições homenageadas com a Medalha Iracema em 2026. A comenda será entregue na próxima sexta-feira (10/4), no Cineteatro São Luiz, como parte das celebrações dos 300 anos de Fortaleza, que serão completados no próximo 13 de abril.

Massapeense de herança e fortalezense de trajetória, Conceição nasceu em Natal, no Rio Grande do Norte, em 1955, período em que seu pai, Francisco Albuquerque Aguiar, militar da aeronáutica, servia na base aérea local. Quinta filha da união entre Francisco e a professora Maria de Lourdes Dias de Albuquerque, Conceição pouco recorda da cidade natal. Algum tempo depois, a família retornou a Fortaleza, e ela cresceu em um ambiente dinâmico, marcado pela convivência com os cinco irmãos.

“A casa estava sempre cheia, e a minha família tinha uma vida muito tranquila, de amor, de vivenciar a alegria de viver, participando das santas missas, rezando o terço todo dia, esperando a hora das refeições para estar todo mundo junto”, conta.

Religiosa de tradição e prática cotidiana, a família acompanhou com naturalidade a vocação manifestada por Conceição desde pequena. “Não foi difícil eu ser religiosa, porque eu já tinha essa alegria de servir ao próximo. A coisa melhor do mundo é a gente ser feliz fazendo o outro feliz.”

Irmã Conceição abraçada por várias crianças
Em 1987, após uma visita ao Hospital Albert Sabin, irmã Conceição abraçou a causa das crianças com câncer. “Eu fui com uma amiga, e quando encontramos essa realidade, isso tocou meu coração. A partir daí eu era outra pessoa”.

Decidida a levar a vocação adiante, em 1982 ela fez sua primeira consagração. Nos anos seguintes Conceição viria a estudar teologia, filosofia e pedagogia. Tornou-se professora, profissão que exerceu por três décadas e que relembra com alegria. “Eu gostava de jovens, e a formação em catequese me ajudou muito nessa condução deles. A gente procurava valorizar cada jovem e ajudar aqueles que tinham mais dificuldades nos estudos, porque a rede pública tinha uma deficiência, e os alunos precisavam primeiro ter segurança de si mesmos, ter uma motivação para poder aprender. A motivação era ser feliz”.

Em 1987, após uma visita ao Hospital Albert Sabin, irmã Conceição abraçou a causa das crianças com câncer. “Eu fui com uma amiga, e quando encontramos essa realidade, isso tocou meu coração. A partir daí eu era outra pessoa”. Decidiu então, junto com seu grupo de missionários, trabalhar voluntariamente para acolher e hospedar crianças com câncer vindas do interior do Ceará e de outros estados para realizar o tratamento em instituições de referência como o Albert Sabin e a Associação Peter Pan.

“Começamos com quatro crianças, em uma casa emprestada. Mas, como o câncer está sempre aumentando, logo esse número aumentou”. A faixa etária das pessoas acolhidas também foi estendida de zero a 12 anos para até 18 anos, e as adversidades acompanhavam a lida diária, sendo resolvidas conforme apareciam. “Eu me lembro que uma vez estávamos com dificuldade de conseguir mistura, a carne, e aí, quando foi de noite, chegou uma pessoa jogando fardo de frango”, conta ela. A ampliação da estrutura e a melhoria das condições de atendimento vieram aos poucos, graças ao apoio de doadores.

À primeira vista, havia a impressão de que a experiência no magistério seria suficiente para lidar com os desafios do acolhimento, entretanto, foi na prática que os voluntários do Lar Amigos de Jesus aprenderam a cuidar das crianças e adolescentes que recebem e de suas famílias.

“Percebemos que era uma outra realidade. Eu não ia ensinar, eu ia aprender. Nós estamos lidando com pessoas, com famílias, que vêm de longe para o tratamento, e elas precisam de amor, de esperança, de uma boa alimentação, de aconchego, de um lugar que possa dar segurança e também fé, para poderem acreditar que vão ser curados”.

Além do amparo das primeiras necessidades, com a garantia da segurança alimentar e de alojamento confortável, o Lar Amigos de Jesus também possui 15 projetos sociais que contribuem para o bem-estar e a saúde integral das crianças acolhidas e de seus familiares. “Quando as famílias chegam aqui, chegam naquela aflição, porque estão com uma criança com câncer, e às vezes até nem compreendem bem o que é o câncer”, explica Conceição, acrescentando que o afeto é um recurso essencial para atenuar esse sofrimento. As crianças e suas famílias são abraçadas pelo Lar.

As estratégias de acolhimento não se limitam à hospitalidade dentro da grande casa que recebe as crianças e adolescentes. Dirigindo uma kombi, a irmã Conceição leva e traz as crianças e os adolescentes para o hospital. “Eu faço questão, porque isso faz com que essas crianças cheguem ao hospital leves. A gente vai cantando, conversando, mudando a música. Chegamos lá e está tudo ok, a mãe feliz da vida, pede a bênção à irmã e vão para o tratamento. É bem melhor assim”.

Irmã Conceição na frente de um altar
Ela também louva a solidariedade do povo fortalezense. É graças à população que a entidade se mantém. “Fortaleza existe a partir do nome forte e tem um povo com muita fé. É uma cidade solidária, que congrega aqui muitas pessoas para ajudar. A sociedade está aqui praticando o amor ao próximo”.

O transporte proporciona, ainda, passeios pela cidade. “A nossa Fortaleza é linda demais. Então nós vamos para a praia, para o teatro, as praças, o shopping, e participamos de momentos festivos”. A dedicação à alegria vem da certeza de que para ter saúde é preciso ter vontade de viver.

O amparo oferecido também inclui apoio sócio pedagógico e psicológico, disponibilização de medicamentos, ajuda de custo, alojamento para motorista e cesta básica no retorno ao domicílio. Entre os projetos desenvolvidos pela instituição estão oficinas de artes, atendimento odontológico, acompanhamento educacional, assistência religiosa e atividades recreativas.

O terreno da sede atual, localizada na Rua Idelfonso Albano, foi disponibilizado em regime de comodato pela Prefeitura. Com uma grande mobilização popular, arquitetos, construtoras e outras empresas contribuíram para a construção do prédio. O projeto foi pensado a partir de sugestões das crianças, de seus familiares e de voluntários do Lar Amigos de Jesus. “Foi uma coisa muito linda. Tudo foi feito gratuitamente. Nós não temos nada, mas temos tudo, porque temos Deus, que tocava no coração das pessoas, dos donos das empresas, e elas colaboravam para fazermos o que é hoje essa sede totalmente humanizada, que dá mais qualidade de vida para as crianças”.

Atualmente o Lar recebe entre 30 a 45 crianças por dia, cada uma com um acompanhante. Por mês, passam em média 150 a 200 crianças pela instituição, conforme as necessidades de cada caso. No início do tratamento, o tempo de permanência geralmente é de três meses, depois esse tempo diminui. “Eles têm agora duas casas, uma no interior e outra aqui. A do interior, onde eles nasceram. Aqui, onde eles renasceram”, contempla a freira.

Na hospitalidade do Lar, a Irmã Conceição vê refletida a vocação da cidade. “O Lar Amigos de Jesus recebe crianças de todos os municípios do Ceará, todos os municípios estão aqui, através das crianças acolhidas. Então Fortaleza oferece saúde, educação e assistência social dentro do Lar, e a cidade acolhe todo mundo, até crianças de outros estados. Como Fortaleza é grande! Tem uma grandeza espiritual”.

Ela também louva a solidariedade do povo fortalezense. É graças à população que a entidade se mantém. “Fortaleza existe a partir do nome forte e tem um povo com muita fé. É uma cidade solidária, que congrega aqui muitas pessoas para ajudar. A sociedade está aqui praticando o amor ao próximo”.

Para ela, o brilho da generosidade também se manifesta na sua escolha como homenageada. “Receber a Medalha Iracema é uma explosão de alegria e de reconhecimento. Não é só por mim, é por todas as pessoas, pelas crianças e famílias que fazem o Lar Amigos de Jesus. Fortaleza está de parabéns por ser uma cidade solidária, que cuida dos seus e reúne tanta gente disposta a ajudar”.

Celebrando os 300 anos de Fortaleza, Irmã Conceição deseja que a capital cearense seja cada vez mais solidária, mais bonita, que nosso povo tenha sempre o que comer e um teto para morar. Ela continuará trabalhando com o sorriso aberto de quem vive uma missão de alegria.

Nirez sentado numa das salas de sua casa
“Parece incrível, mas eu já fui pequenininho. Quando nasci eu era pequenininho, bem branquinho e louro, aí me apelidaram de Inglês. Mas sabe como são os adultos, não falam direito com as crianças, e terminou em Nirez”, conta Nirez (Fotos: Tainá Cavalcante)

Aos 92 anos, cresce junto com Fortaleza um menino que coleciona histórias, povoando a casa de memórias e amores inexplicáveis. Nirez está entre as quatro pessoas e instituições homenageadas com a Medalha Iracema em 2026. A comenda será entregue na próxima sexta-feira (10/4), no Cineteatro São Luiz, como parte das celebrações dos 300 anos de Fortaleza, que serão completados no próximo 13 de abril.

Quando Nirez nasceu, em 15 de maio de 1934, Fortaleza já contava 208 anos, o pai dele, Otacílio Ferreira de Azevedo, era pintor, fotógrafo e poeta; a mãe, Tereza Almeida de Azevedo, era também artista. E o destino do menino talvez já estivesse traçado: olhar para as memórias de seu povo e fazer delas a companhia para uma vida longeva. A cidade completa três séculos, e o fotógrafo, jornalista, colecionador e pesquisador Miguel Ângelo de Azevedo a viu mudar muitas vezes, guardando memórias táteis dos tempos que escorrem pelos dedos.

No ano em que ele nasceu, também ocorreu a fundação da Abafilm, um dos mais tradicionais laboratórios fotográficos da cidade, onde dona Tereza viria a trabalhar retocando negativos. “Era o photoshop de antigamente”, brinca Nirez enquanto reconhece o quinhão de influência da mãe na sua formação. A empresa esteve presente na história da família em outros momentos e contribuiu para a ampliação do acervo do pesquisador, ao se desfazer dos arquivos de sua sede no Centro, décadas depois.

O apelido pelo qual Miguel Ângelo é mais conhecido vem de pequeno, do nosso jeito de falar que transforma palavras como “inglês” em Nirez. Cearense, o menino era associado aos estrangeiros por ter a pele muito branca. “Parece incrível, mas eu já fui pequenininho. Quando nasci eu era pequenininho, bem branquinho e louro, aí me apelidaram de Inglês. Mas sabe como são os adultos, não falam direito com as crianças, e terminou em Nirez”, conta.

Nirez ao lado de dois gramofones numa das salas de sua casa
“A gente rodava a manivela e botava o disco para tocar. Então eu me lembrava de muitas músicas daquela época, de 1937, 1938, 1939 até 1940. Eu gostava muito dessas músicas.”

Ao completar 20 anos, em 1954, Nirez ganhou de presente de um vizinho um toca-discos. “Naquela época se chamava picape. Ele não tinha amplificação, mas eu injetava em um rádio do meu irmão”, relembra. Com ele, o passeio pelos tempos pode ser trilhado no acervo da memória e da casa, na qual abundam aparelhos de som de diversas épocas.

O toca-discos traz lembranças mais antigas, do gramofone e dos discos que o pai dele tinha quando Nirez era criança. “A gente rodava a manivela e botava o disco para tocar. Então eu me lembrava de muitas músicas daquela época, de 1937, 1938, 1939 até 1940. Eu gostava muito dessas músicas.” Quando começou a comprar e colecionar discos, em 54, foi buscar os sons do gramofone, as canções da infância, vozes como as de Orlando Silva, Silvio Caldas e Carmen Miranda.

Em paralelo ao crescimento do arquivo, a carreira também começou a se estruturar na década de 50. Em 1953, Rubens, irmão de Nirez, mudou-se para São Paulo, mas sua freguesia continuou indo a casa da família em busca dos desenhos publicitários que ele fazia. “Quando não encontravam ele, perguntavam se eu desenhava, e eu dizia que sim. Eu não desenhava nada, mas peguei as encomendas e fui aprendendo a desenhar com elas.”

Nos anos seguintes, a experiência lhe rendeu trabalhos de desenhista no Jornal O Povo, e um cargo de desenhista técnico concursado do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs). O interesse pelos discos o levou a colecionar fotografias, revistas e livros que revelavam histórias de cantores e compositores. Afinado pelas pesquisas, Nirez começou a escrever artigos para a Tribuna do Ceará, e, por volta de 1959, para O Povo.

“Continuei a desenhar, a escrever e a colecionar. Eu sempre tive mania de coleção”. Nirez resume o gosto infindável que o acompanha desde a meninice: figurinhas de pacotes de bombom, carteiras de cigarro, caixas de fósforo, discos, revistas, livros, fotos, rádios, vitrolas, câmeras, telefones, máquinas de escrever, cadeiras de cinema, a antiga penteadeira da sogra... Os nomes de todos os visitantes da casa-arquivo assinados e datados em um livro disposto sobre a mesa. Tudo o que vale a pena guardar.

“Eu fui colecionando sem pretensões de nada. Sem pensar no futuro. Colecionava o que eu tinha possibilidade de possuir. Quando tinha uns 900 e tantos discos, eu me interessei em saber quem eram aqueles elementos que cantavam, que gravavam, que acompanhavam, que compunham. Então procurei biografias, livros, revistas e jornais que falavam a respeito da música popular. Nessa busca, eu comecei a ver a fisionomia dessas pessoas, e me interessei em colecionar também fotos”. Nirez relembra.

Nirez sentado em sua sala na frente de suas estantes de discos
Para ele, o tamanho do arquivo é “imensurável”, não somente pelo valor, mas também pela constante atualização. “Eu sei que eu tenho mais de 47 mil fotos, mais de 19.800 discos”, calcula

Foi em meio às buscas por registros visuais de personalidades da música popular que lhe “caíram nas mãos” muitas fotografias e postais da Fortaleza antiga. Porque uma história chama outra, Nirez começou a perguntar ao próprio pai sobre o que via nas imagens, e esses aprendizados despertaram a vontade de colecionar fotografias da cidade.

Para ele, o tamanho do arquivo é “imensurável”, não somente pelo valor, mas também pela constante atualização. “Eu sei que eu tenho mais de 47 mil fotos, mais de 19.800 discos”, calcula. “Quando uma pessoa me relembra a quantidade de fotos que eu tenho, de músicas, quando eu penso nisso tudo, eu fico até impressionado. Como é que eu consegui chegar aqui?”

Desde 1959, os passos que preenchiam cada canto da casa com memórias foram dados ao lado de Maria Zenita Rodrigues de Azevedo, a quem ele continuou chamando de namorada mesmo após sua morte, quando já somavam 59 anos de união. De tamanha presença, o apelido Nirez nomeou o terceiro dos quatro filhos do casal. Terezinha, a mais velha, tornou-se bibliotecária; Otacílio, radialista; Nirez, escritor, pesquisador e gestor de arquivo; e Mário, secretário do próprio Nirez. Cada um, à sua maneira, seguiu caminhos que dialogam com a trajetória do pai. “Eu vivia nesse ambiente de jornal, Dnocs e música, e meus filhos foram criados nesse ambiente”, explica.

À medida que a família crescia e se estruturava o arquivo, aumentava também o amor por Fortaleza. “O amor natural que a gente tem à terra da gente, eu já tinha. Mas ele cresceu com o conhecimento. Essas coisas que mudavam, os prédios antigos que eram derrubados, as coisas que doíam profundamente”, reflete.

Nirez sentado na sua escrivaninha na frente do computador
Na casa-arquivo, Nirez se senta diante do computador enquanto mostra fotos antigas e imagens feitas com inteligência artificial

Na Fortaleza de Nirez, o que há de mais bonito é o talento do povo para acolher. “Os cearenses gostam de recepcionar bem, de servir. Isso é o que de mais importante temos na nossa cidade”. Na fala, ele desenha o mapa dos caminhos e dos sentidos para a benquerença pela terrinha, ao mesmo tempo em que defende a natureza inexplicável do sentimento. “Ah, amor não se explica, amor não tem tradução”.

De toda forma, a memória tem o poder de semear, enraizar e nutrir afetos. “Eu acredito que a pessoa que vê essas fotografias de Fortaleza antiga, que lê e ouve falar sobre a cidade, de quando ela completou 200, 250, e, agora, 300 anos, a pessoa passa a se interessar de qualquer maneira pela cidade. Uns mais, outros menos. O que se faz sobre Fortaleza, sejam músicas, crônicas, ou histórias, isso vai impregnando nas gerações, para esse amor não morrer”.

Para a Fortaleza que celebra 300 anos neste 13 de abril, homenagear Nirez com a Medalha Iracema é destacar o valor da memória e de um de seus mais dedicados guardiões. Para ele, a comenda reafirma seu dever. “A cada homenagem que se recebe, cresce a responsabilidade. Quando a pessoa me dá uma medalha, acho que eu sou capaz daquilo. Então eu tenho que continuar provando que sou capaz”, mas, na insistência da pergunta, brilha por um instante o olho do menino que gostava de colecionar as belezas do mundo: “é bom ser reconhecido, é muito bom”.

Para a cidade, ele deseja um futuro promissor, que Fortaleza cresça e apareça cada vez mais. Ele estará aqui, lidando como sempre fez com as mudanças nas ruas e com as novas tecnologias. Na casa-arquivo em que coexistem gramofones, celulares, rádios à manivela, fones bluetooth e as primeiras cadeiras do Cineteatro São Luiz, Nirez se senta diante do computador e responde enquanto mostra fotos antigas e imagens feitas com inteligência artificial: “a gente vai acompanhando”.