rapaz e moça jovens sorrindo para a foto lado a lado
Antonio Neri e Nilciane Silva tiveram a oportunidade de fazer intercâmbio na Espanha e na Inglaterra, respectivamente, por meio do Juventude Sem Fronteiras

Viver em outro país conhecendo novas culturas e aprendendo um novo idioma pode parecer algo inalcançável para muitos estudantes da rede pública, mas desde 2017, a Prefeitura de Fortaleza vem tornando esse sonho possível para muitos jovens da periferia da Capital. Por meio do programa Juventude Sem Fronteiras, 298 estudantes do Academia Enem conquistaram e aproveitaram essa oportunidade.

Um desses jovens é Antonio Neri, que fez intercâmbio em Salamanca, na Espanha, em 2019. “Uma pessoa pobre, que mora no Bom jardim, conseguir cruzar o oceano para estudar e ter uma imersão sociocultural de forma gratuita? Pois é, eu fiz isso e acreditem: é verdade. Todos os dias, eu tinha aula pela manhã e à tarde participava de uma rota cultural em que um professor ia explicando sobre a cidade. O Juventude Sem Fronteiras foi uma oportunidade única”, declarou.

garoto sentado em pedra com monumento ao fundo e sorrindo para a foto
Antonio Neri em Salamanca, Espanha

Nilciane Silva de Mesquita, moradora do Jardim Jatobá, é outro exemplo. Ela não desistiu após as duas primeiras tentativas de ser aprovada no Enem para participar do Programa, e na terceira vez, conseguiu alcançar o objetivo. “Toda vez que eu ouvia falar do Juventude Sem Fronteiras meus olhos já enchiam de lágrimas, porque eu queria ter aquela oportunidade também, mas parecia algo tão distante. Eu fiz questão de frequentar o máximo de aulas naquele ano e vi o resultado refletido na minha nota do Enem”, contou a intercambista, que em pouco tempo, viu sua vida mudar por completo e teve a chance de realizar, também em 2019, o sonho de aprender inglês na terra dos Beatles, Liverpool.

Durante o intercâmbio, além das aulas de espanhol ou inglês, os jovens têm a chance de conhecer outras culturas e formar novos laços, além da aquisição de conhecimento que poderá ajudá-los na vida pessoal e profissional. Antonio Neri diz que, após a experiência em Salamanca, tornou-se mais responsável, resiliente e confiante. “Antes do JSF, tinha muito medo de errar, de arriscar. Agora não. Sei que se eu errar é melhor porque vou aprender efetivamente. Hoje sou uma pessoa mais autoconfiante e acredito mais no meu potencial”, comentou.

Hoje estudante de Odontologia, Antonio estimula outros jovens a se esforçarem na busca pelos seus objetivos. “Para você que está no Academia Enem, você está trilhando o seu caminho para o sucesso, a mudança de realidade para você e sua família e, assim como eu, vai poder escolher qual seu destino do Juventude Sem Fronteiras, viajar e trazer na bagagem mais que lembranças, mas também uma mudança de perspectiva de vida. Acredite em você e nos seus sonhos. Tudo é possível para aqueles que perseveram”, atentou.

moça jovem posando para foto em frente às estátuas dos beatles
Nilciane em Liverpool, na Inglaterra

Para Nilciane, hoje estudante de Direito na Universidade Federal do Ceará (UFC), a experiência foi transformadora. “Faltam palavras para descrever como foi importante pra mim. Eu me sinto muito grata por ter tido a oportunidade, por ter gente que acreditou no meu potencial e investiu em mim. Sou grata por pessoas que colocaram o projeto para frente e fizeram funcionar. Sou grata porque essas coisas me fizeram acreditar em mim e já me levaram muito, muito longe mesmo. Espero de verdade que esse programa continue seguindo e atingindo mais jovens que, como eu, não tinham noção do quanto são capazes”, completou a universitária, que, atualmente, participa do projeto Juventude Ativa, validando o cadastro dos estudantes da Academia Enem 2020 nos Cucas.

Juventude Sem Fronteiras

Criado em 2016, o Projeto Juventude Sem Fronteiras oferece intercâmbio de oito semanas em países, como Espanha e Inglaterra, para os 100 melhores alunos do Academia Enem. A Prefeitura de Fortaleza custeia toda a viagem, desde as passagens aéreas, emissão de visto e de passaporte, alimentação, hospedagem e seguro médico e de viagem, ajuda de custo e atividades culturais programadas.

Para participar da seleção, o aluno matriculado no Academia Enem precisa ter entre 18 e 29 anos, ter cursado o Ensino Médio integralmente na rede pública ou ainda estar cursando o terceiro ano em escola pública, ter obtido frequência mínima obrigatória de 65% nas aulas do Academia Enem e ter comprovado a nota geral no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

“Muitos jovens vivem situações difíceis, têm autoestima baixa e falta de crença neles mesmos porque passam parte da vida ouvindo isso, que não vão conseguir. O Juventude Sem Fronteiras tem o poder de mostrar que eles podem. A gente acredita em vocês, vocês vão conseguir por meio dos seus esforços nos estudos. Essa experiência pode abrir e mudar a mente. E quando ela muda, nunca mais volta ao que era antes. A educação, o acesso à cultura, ninguém tira de ninguém”, destacou Julio Brizzi, titular da Coordenadoria de Políticas Públicas de Juventude de Fortaleza.

Academia Enem

O projeto possibilita que alunos da rede pública de ensino se preparem para o Enem estudando com os melhores professores da Cidade e com acesso a material educacional de qualidade.

Em 2020, 8 mil jovens já iniciaram as aulas, que contam com as seguintes disciplinas: Técnicas de Estudo, Aprendizagem e Motivação e Redação do Enem, além de Matemática, Geografia e História. Desde sua criação, o Academia Enem já beneficiou quase 80 mil jovens.

Publicado em Juventude
mãe segurando braços de filho bebê andando atrás de bola
"Agora aprendo tudo o que eu preciso fazer com meu filho e é uma benção. Ele está bem desenvolvido para a idade", comenta Tatiane Nascimento

Apoiar as famílias em situação de vulnerabilidade para que promovam o desenvolvimento integral de suas crianças no período da gestação e até os três anos de idade. Este é o propósito e o grande desafio do Cresça com Seu Filho/Criança Feliz, uma política pública inovadora implantada pelo Gabinete da Primeira-dama, Carol Bezerra.

mulher sorrindo para a foto de braços cruzados
Emanuelle Melo, coordenadora do Programa

Desde sua criação, em outubro de 2014, o programa oferece, por meio de uma rede intersetorial, possibilidades de desenvolvimento para crianças de famílias em vulnerabilidade. Até o momento, já foram registradas 125.368 visitas domiciliares, com 10.187 crianças cadastradas, e 797 agentes comunitários e 223 enfermeiros capacitados.

Para a coordenadora do Cresça com Seu Filho/Criança Feliz, Emanuelle Melo, os números apontam para um avanço que superou muitas expectativas. "O porgrama cresceu. O manual, por exemplo, foi todo revisado. Ele tinha 90 atividades e está hoje com 148. Também incluimos as visitas a gestantes. Trabalhávamos com quatro faixas etárias e ampliamos para oito. E vamos avançar mais, porque o Programa tem um grande potencial", destaca.

A iniciativa reuniu esforços de diversos órgãos públicos que atuam na área social, promovendo uma política diferenciada a essas crianças, em especial, por meio de ações das secretarias de Saúde, Educação, Cultura, e Direitos Humanos e Desenvolvimento Social, com articulação do Gabinete da Primeira-dama. Os órgãos trabalham de forma coesa para a construção de uma rede que beneficia o desenvolvimento saudável desses novos cidadãos.

Mulher sorrindo para a foto segurando livro
"A criança criada com amor não vira um adulto violento. Ela cresce educada, equilibrada e feliz", explica a agente agente comunitária de saúde, Regina Célia da Silva

A dona de casa Tatiane Nascimento, de 32 anos, é mãe do pequeno João Vitor, de 11 meses. Ela já tem um adolescente de 15 anos, mas admite que acompanhar o primeiro ano de vida do filho mais novo foi bem mais fácil porque ela já conhecia o Cresça com Seu Filho/Criança Feliz. "Quando engravidei a primeira vez, era adolescente e não tinha a orientação que tenho hoje. Agora aprendo tudo o que eu preciso fazer com meu filho e é uma benção. Ele está bem desenvolvido para a idade", comenta.

Tatiane conta com as orientações da agente comunitária de saúde, Regina Célia da Silva, que acompanha a jovem desde o nascimento do João Vitor. Foi dela que partiu o convite para que Tatiane tivesse acesso ao Programa. "Fui fazer o pré-natal no posto e ela falou do Programa, aceitei e hoje a Regina é uma benção na minha vida. Tem coisa que eu não lembrava mais e ela me ajuda muito", ressalta.

A orientação vem desde a gestação, passando por fases importantes como amamentação e introdução alimentar, até fortalecimento do vínculo entre mãe e filho. Regina Célia afirma que no início teve um certo receio. "Mas fiz o treinamento e me capacitei. Toda e qualquer dúvida que chega até a gente tem sido esclarecida. Quando começamos o projeto e vimos o desenvolvimento da criança e que as mães gostavam, a gente criou mais gosto de fazer, com mais amor. Aqui eu oriento, mostro o livro de atividades e, a cada semana, eu volto para saber se a criança se desenvolveu. A parte afetiva também é importante. A criança criada com amor não vira um adulto violento. Ela cresce educada, equilibrada e feliz", explica.

duas mulheres sentadas brincando com bebê sentado no meio segurando bola e sorrindo
Regina Célia em visita à Tatiane e João Vitor

A importância do vínculo da mãe com a criança é essencial para o desenvolvimento na primeira infância. Por meio de atividades semanais e as orientações do agente de saúde, a mãe aprende sobre o que é fundamental para fortalecer esse laço, como explica Regina. "Não é só após nascer. No início, quando eu pedia que ela falasse com ele na barriga, ela dizia que ele não iria ouvir, que era muito pequeno. Mas eles ouvem. Depois ela me confirmou que ele riu muito e a tendência é que os laços se fortaleçam com o tempo. Cada fase exige a aplicação de novas atividades, que vão ajudar no desenvolvimento neuromotor da criança. E elas precisam ser feitas em casa", esclarece a agente.

Em cada visita, além de acompanhar o desenvolvimento da criança, os agentes dialogam com a família e tiram todas as dúvidas que surgem. Este acompanhamento vai até o terceiro ano de vida, quando, geralmente, o ciclo se fecha e as mães são recomendadas a darem continuidade às atividades. "Eu me sinto realizada. Quando a gente completa o ciclo, do nascer aos três anos, é uma vitória. E geralmente eu peço que as mães continuem a brincar, a conversar, dar atenção à criança e corrigir também. Tudo que se faz nesse período, da gestação aos três anos, repercute na vida adulta", afirma Regina Célia.

Ampliação

O Cresça com Seu Filho/Criança Feliz atua em mais de 35 bairros das Regionais I, V e VI. Devido ao seu alcance, ao potencial reconhecido e aos números que já foram registrados, em outubro de 2019, foi iniciada a fase de universalização do Programa. A meta é chegar a todas as Regionais.

"A gente começou com capacitações, porque nosso objetivo, na universalização, é capacitar todos os enfermeiros e todos os agentes comunitários de saúde do Município. Todos precisam estar aptos a desenvolver o Programa. Hoje já temos mais 879 agentes de saúde e 145 enfermeiros sendo capacitados e à disposição. O que imaginamos para o futuro é fazer com que todas as crianças tenham acesso aos serviços que a Prefeitura está oferecendo. Um serviço totalmente baseado nas evidências científicas da neurociência. Nossa meta é de que 7 mil crianças sejam acompanhadas mensalmente", disse a coordenadora do Programa, Emanuelle Melo.

Publicado em Social
homem em pé posando para a foto e segurando um peixe em cada mão com mercado ao fundo
Francisco Franciné Couto é um dos permissionários do Mercado dos Peixes do Vila do Mar

O Mercado dos Peixes do Vila do Mar, na Barra do Ceará, tem gerado negócios e novas oportunidades para a população do bairro. O comércio de pescado na região é a principal fonte de renda de muitas famílias que, com o novo equipamento, ganharam um local de trabalho mais digno e seguro.

senhor com filhas ao lado dentro de box do mercado, todos sorrindo para a foto
“Nesses 36 anos que moro aqui, sempre trabalhei no mar para conseguir criar minhas filhas", lembra o Sr. Francisco ao lado de Regina e Renata

Francisco Franciné Couto é um dos vendedores que receberam permissão da Prefeitura para comercializar no local e agora atua em um dos 15 boxes do Mercado. Ele conta que desde que chegou ao Ceará, vindo de São Paulo, tira seu sustento "do mar". “Nesses 36 anos que moro aqui, sempre trabalhei no mar para conseguir criar minhas filhas. Após um tempo como pescador, passei a ser vendedor de peixes em uma bicicleta”, lembra.

Antes da construção do Mercado, os pescadores locais atuavam no calçadão da orla. Embora fosse uma tradição antiga, o cenário não tinha qualquer apoio. Diante disso, a Prefeitura decidiu intervir para atender a demanda, providenciando um ambiente adequado para o comércio. “Antigamente, todos os dias, estávamos debaixo de sol e chuva levando e trazendo mercadorias pesadas de nossas casas. Era difícil. Agora temos um ambiente com higiene, segurança e boas condições para trabalhar”, afirma Sr. Francisco.

Além do espaço físico, o Município também garantiu aos permissionários uma capacitação por meio do projeto Praça Empreendedora, uma iniciativa da Secretaria Municipal do Desenvolvimento Econômico (SDE) e da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), em parceria com a Secretaria Regional I.

Mulher sorrindo para a foto
"A clientela aumentou por causa da boa qualidade do nosso serviço", diz Sueli Ribeiro

Durante uma semana, os comerciantes participaram de aulas sobre serviço eficiente, excelência do atendimento, venda criativa, motivação e operação das atividades, normas sanitárias e territoriais, entre outros assuntos. Sueli Ribeiro de Oliveira, uma das permissionárias, menciona que as aulas foram fundamentais para aprimorar seu ofício. "Todos nós participamos do curso. Aprendemos sobre vendas, atendimento ao cliente e diferencial. A clientela aumentou por causa da boa qualidade do nosso serviço", diz.

Segundo o secretário da Regional I, Rennys Frota, inúmeros aspectos na atuação dos vendedores foram avaliados e alguns foram identificados e, assim, aprimorados na qualificação. "Estas capacitações são essenciais para corrigir as adversidades e conceder mais conhecimento e expertise aos permissionários”, explica.

Estrutura e melhorias no entorno

Inaugurado no dia 07 de dezembro de 2019, o Mercado dos Peixes do Vila do Mar é dividido em 15 boxes padronizados em alvenaria, revestidos por cerâmica com balcão para atendimento, pia, instalação adequada para fogão, espaço para freezer e caramanchão em madeira.

Com o novo equipamento, a região ganhou mais uma opção de fomento turístico. Para Elias Silva, um dos vendedores beneficiados, o novo Mercado dos Peixes é um dos muitos investimentos realizados no bairro. "Nós temos esse calçadão, Lar do Idoso, avenida e acessos facilitados também. Aqui à noite, tem muita gente que vem para comer, passear e isso é vantajoso para nós. A cada dia mais eu vejo meu bairro crescer e isso é ótimo", destaca Elias.

Publicado em Economia
duas moças com roupa, touca e máscara de enfermeira andando em corredor empurrando carrinho com materiais
Para além do extenso ensino teórico-prático, o programa também confere aos residentes a convivência direta com colegas de outras profissões

Explorar novas possibilidades, desenvolver técnicas, trabalhar os pacientes de forma abrangente, multidisciplinar e humanizada. Estas são algumas competências que desafiam o dia a dia da turma de Residência Multiprofissional em Saúde do Instituto Dr. José Frota (IJF), programa realizado em parceria com a Escola de Saúde Pública do Ceará (ESP/CE) desde 2014.

mulher de óculos posando para a foto
Renata Barreira, coordenadora do Programa de Residência Multiprofissional em Saúde

Coordenado pelo Centro de Estudos e Pesquisas do IJF (CEPESQ), o curso de especialização imersiva contempla profissionais de Enfermagem, Fisioterapia, Nutrição, Odontologia, Serviço Social e Psicologia, que são incorporados à rotina do hospital. Cada turma reúne 16 residentes, que cumprem carga horária de 12 horas diárias ou 60 horas semanais, completando uma jornada de 5.760 horas ao longo de dois anos.

Para além do extenso ensino teórico-prático no que é hoje o maior hospital de urgência e emergência do Ceará, o programa também confere aos residentes a convivência direta com colegas de outras profissões, que não só ampliam as possibilidades de tratamento e abordagem em relação aos pacientes, mas intensificam a experiência no ambiente hospitalar, conforme destaca a coordenadora do Programa de Residência Multiprofissional em Saúde, Renata Barreira.

moça de óculos olhando para a frente
Segundo a residente Caroline Vasconcelos, as intervenções em grupo são mais eficientes graças às outras possibilidades de atividades que vão além do desenvolvimento de técnicas

“Os participantes estão imersos em várias atividades teóricas, transversais e comuns a todos os profissionais de todas as residências, além do programa mais específico em urgência e emergência, que também aborda as questões referentes a cada categoria profissional. Isso garante um olhar muito mais amplo e abrangente, para além da própria profissão”, explica.

Renata aponta, ainda, que o programa é potente por ser um projeto de residência muito amplo e que já é bem consolidado. “O lócus é referência na nossa cidade, o espaço acolhe traumas e todo tipo de violência externa. É um hospital que exige respostas muito rápidas e profissionais muito capacitados, e recebe pacientes extremamente complexos”, destaca.

Para a residente de Psicologia Andyslene Freitas, 27 anos, a oportunidade de trabalhar com outras profissões é um diferencial. “Podemos perceber o sujeito dentro de dimensões sociais que interferem nesse processo da saúde e, a partir disso, dialogar de forma que todo o trabalho se torna também mais benéfico para o paciente”, diz.

moça sentada olhando para a frente
"São 12 horas do nosso dia e é tudo muito intenso, mas também é muito gratificante”, garante Iashena Mendes

Segundo a residente de Enfermagem Caroline Vasconcelos, de 26 anos, as intervenções em grupo são mais eficientes graças às outras possibilidades de atividades inclusas na carga horária, que vão além do desenvolvimento de técnicas. “São estudos de caso, realização de seminários, tudo em momentos de interação e compartilhamento de experiências com as outras categorias profissionais", comenta.

Viviane Pacífico (24), residente de Enfermagem, afirma que "a experiência é um diferencial em relação a outras especializações na área da saúde. É interessante estar dentro do cenário da prática, não se compara a nenhuma outra modalidade de especialização.”

Por sua vez, Iashena Mendes, de 27 anos, também residente de Enfermagem, destaca que é inovador participar deste tipo de programa. “É uma imersão profunda no serviço, além de ter um retorno financeiro. São 12 horas do nosso dia e é tudo muito intenso, mas também é muito gratificante”, garante.

moças de jaleco e batas sorrindo para a foto atrás de balcão de hospital
O curso de especialização imersiva contempla profissionais de Enfermagem, Fisioterapia, Nutrição, Odontologia, Serviço Social e Psicologia

Residência médica

Conforme o tutor de internos do Programa de Residência de Medicina de Emergência do IJF, Maximiliano Porto, o Hospital é referência como escola para médicos, tanto pela diversidade de diagnósticos, por ser um grande centro de trauma, como pelo fato de os profissionais já terem incluído em suas rotinas o aprendizado de colegas mais jovens. “O IJF tem a configuração de priorizar o paciente no atendimento e ao mesmo tempo transmitir esses conhecimentos e dar oportunidade, com responsabilidade e supervisão, em todos os níveis de complexidade”, ressalta.

O tutor conta que a rotina dos médicos aprendizes envolve desde habilidades de comunicação com os pacientes ao campo cirúrgico, passando pela carga teórica, que inclui também lições de ética e profissionalismo. “O residente precisa se apresentar de forma profissional, adequada, segura e ética, de forma que o paciente seja valorizado do ponto de vista de uma consulta, atendimento e cirurgia bem feitos, seguindo todos os passos e oportunizando a formação”, conclui.

Publicado em Saúde
dois cachorros em coleira em frente a veículo
O Vetmóvel oferta atendimentos gratuitos, como consulta veterinária, vacinação antirrábica, registro geral animal, além de exame para diagnóstico do Calazar

Mais do que animais de estimação, cães e gatos se tornaram membros da família, companheiros, seres que merecem todo o respeito e cuidado dos humanos. Eles enchem os lares de alegria, dão alento e ensinam, todos os dias, que o respeito, a atenção e o desprendimento devem fazer parte da rotina cotidiana.

mulher segurando cachorro e sorrindo para a foto
Jaínia Sampaio e seu compenheiro Luke

Jaínia Sampaio tem um cachorro de quatro meses e é um desses casos de pessoas que se doam aos filhos de pêlo. A dona do Luke disse que o animal foi um divisor de águas em sua vida. Segundo ela, que mora só, ele é mais que um pet, é um amigo para todas as horas e que trouxe uma nova energia ao lar, que estimula o afeto e lhe faz companhia.

Já Alexandra Marques, defensora da causa animal, teve, após uma situação de perda, despertada a vontade de cuidar e possibilitar uma vida melhor a animais da Cidade que não tiveram a mesma sorte do Bruce, o pet falecido, e que contou com uma família que o acolheu nos momentos mais difíceis. “Ele era um filho. A sua morte me despertou algo maior, que eu poderia ajudar tantos outros animais que precisavam de atenção e cuidados, mas que por estarem em situação de abandono não recebiam nem o mínimo”, disse.

Em ambas as situações, o amor e o cuidado são os mesmos, porém, as duas cuidadoras não teriam como prestar atendimento médico-veterinário aos animais que amam, caso não contassem com o Vetmóvel.

mulher de cócoras ao lado de cachorro sorrindo para a foto
Alexandra Marques, defensora da causa animal

O serviço, implantado pela Prefeitura de Fortaleza em junho de 2018, oferta atendimentos gratuitos, como consulta veterinária, vacinação antirrábica, registro geral animal, além de exame para diagnóstico do Calazar, que são disponibilizados ao público geral. Já as castrações são destinadas, exclusivamente, aos animais cujos cuidadores são de baixa renda e oriundos de ONGs e protetores independentes, sendo obrigatória a apresentação do NIS, RG, CPF e comprovante de endereço dos tutores para a realização do serviço.

Desde o início de seu funcionamento, o Vetmóvel já atendeu mais de 57.800 cães e gatos da Cidade. Desses, 19.569 foram consultas, 16.886 vacinas, 8.759 testes de triagem para Calazar, 7.000 castrações, 2.855 implantes de microchips (registro animal) e 2.748 hemogramas.

“Aqui, cada paciente é único. Na maioria das vezes, eles sempre trazem consigo uma história de dor, seja de abandono ou maus tratos. Para mim, é muito grandioso atuar no equipamento, pois cada dia a gente vive uma experiência diferente e se depara com histórias as quais é preciso contornar com muita sabedoria e empatia para fazer a diferença. Vejo no Vetmóvel uma chance enorme de agregar ainda mais coisas positivas à minha carreira de anestesista e de poder ajudar”, contou Glaucia Sampaio, anestesiologista do equipamento.

duas mulheres de jaleco, máscara e touca examinando gato
"Vejo no Vetmóvel uma chance enorme de agregar ainda mais coisas positivas à minha carreira de anestesista e de poder ajudar”, contou Glaucia Sampaio

Seja de forma individual ou por meio do serviço prestado à comunidade animal desprotegida, o Vetmóvel beneficia a todos sem preconceito. “Administro uma comunidade de adoção com mais de 71 mil inscritos no Facebook. Já perdi a conta do número de animais abandonados que trouxemos para o Vetmóvel para receber cuidados, atendimento ou castração, pensando tudo em uma adoção responsável. Não consigo mais imaginar Fortaleza sem o Vetmóvel. Hoje, temos políticas públicas para a causa animal, coisa que nunca tivemos”, completou Alexandra Marques.

Todos os atendimentos desenvolvidos pelo Vetmóvel são ofertados gratuitamente e podem ser acessados todos os dias da semana, das 8h às 17h, sendo as castrações pré-agendadas. No local, são realizados atendimentos, triagem e vacinação por ordem de chegada. Além desses, são desenvolvidas atividades de conscientização.

Em 2019, foram realizadas 798 palestras sobre bem-estar animal e guarda responsável em escolas, universidades, praças e eventos realizados por instituições ou protetores independentes promovidos pela Coordenadoria Especial de Proteção e Bem-Estar Animal (Coepa).

mulher falando para a foto
“Já estamos licitando o segundo Vetmóvel e nossa clínica veterinária pública do Município já está em construção", destacou Toinha Rocha

Toinha Rocha, titular da Coordenadoria para a Causa Animal, declarou que o trabalho é muito gratificante e que a Prefeitura está construindo, pela primeira vez em sua história, uma política pública consistente, um legado para a área, lembrando que muito mais está por vir. “Já estamos licitando o segundo Vetmóvel, nossa clínica veterinária pública do Município já está em construção, estamos preparando a licitação para comprar todos os maquinários, os equipamentos, receber os gestores que estarão lá trabalhando para que a clínica atenda a todos e a todas”, destacou.

A dona do Luke, Jaínia Sampaio, saiu do Vetmóvel com um sorrino no rosto. Durante a entrevista, o resultado de exame para Calazar canino saiu. “Ele não tem nada, está saudável! O atendimento foi muito bom, ágil, com todo o cuidado com meu cãozinho, só tenho que agradecer a Prefeitura”, disse entusiasmada com o resultado e os serviços prestados.

Atendimentos no VetMóvel

Para as atividades gratuitas, são ofertadas no local senhas para o atendimento de consulta veterinária, vacinação antirrábica, registro geral animal e exame para diagnóstico de Calazar.

As castrações precisam ser agendadas presencialmente na Coepa, que funciona na sede da Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania (AMC), na Avenida Desembargador Gonzaga, 1630, bairro Parque Iracema (Regional VI).

Publicado em Fortaleza
senhora posa em frente ao canteiro de plantas do qual toma conta
A aposentada Abigail Marques há cinco anos aduba, limpa, organiza e mantém a área verde do canteiro central por ela adotado, em frente ao seu comércio, no bairro Cajazeiras

O Programa de Adoção de Praças e Áreas Verdes, coordenado pela Secretaria de Urbanismo e Meio Ambiente (Seuma), vem incentivando o protagonismo cidadão nas sete Regionais de Fortaleza. Em toda a Cidade, são 405 ruas, canteiros centrais, parques, praças, largos e jardins, dentre outros logradouros, adotados por associações, empresas ou pessoas físicas em toda a cidade.

Esses espaços públicos vêm sendo cuidados e ocupados desde 2015, início do funcionamento do Programa. Atualmente, as praças e os canteiros lideram, com 160 e 109 espaços adotados, respectivamente. Dentre as Regionais, o destaque vai para a Regional V, com 138 espaços acolhidos, seguido da Regional VI, com 97.

Um exemplo desse protagonismo é a aposentada Abigail Marques, de 73 anos, que há cinco anos aduba, limpa, organiza e mantém a área verde do canteiro central por ela adotado, localizado em frente ao seu comércio, na Avenida Deputado Paulino Rocha, no bairro Cajazeiras (Regional VI).

mulher posa em frente à geladeira adaptada para receber livros
O local já conta com cinco geladeiras cheias de livros que vão de filosofia à matemática

O espaço, que antes era ponto de acúmulo de lixo, se tornou mais harmônico e convidativo após o trabalho de paisagismo realizado pela própria dona Abigail e chama a atenção de motoristas e pedestres. O local já conta com cinco geladeiras cheias de livros que vão de filosofia à matemática, além de mobiliários como bancos e mesas; e adornos decorativos diversos como estátuas, cercados, símbolos religiosos e placas com frases populares, dentre outros.

O canteiro ganhou vida não apenas por ser um local limpo e arrumado, mas por conseguir engajar outros moradores do entorno, que além de utilizarem propriamente o espaço, também realizam doações de materiais e livros, que segundo dona Abigail, nem cabem mais nas estantes.

Ela conta que já foi consultada para que a iniciativa fosse replicada em outros bairros da Capital, e para o que fica como resultado do trabalho é o senso de cidadania e a mudança de comportamento dos vizinhos, que passaram a apreciar e a se engajar em prol do espaço.

“O pessoal colocava sofá velho, eletrodomésticos, sacos de lixo. Depois que me aposentei, tive a ideia de arrumar esse canteiro para evitar o lixo. Ia fazer só na frente da minha loja, mas as pessoas gostaram e cada vez mais faziam doações e eu fui aumentando o espaço. As coisas eu tiro mais de reciclagem. As pessoas também vão me dando ou eu compro, e assim vou fazendo. A sensação é de que eu estou dando um benefício a alguém e eu me sinto feliz por fazer isso”, descreve.

Além disso, Abigail também conta que pensou o espaço de forma a ser útil e aconchegante para quem passa e que já recebeu diversas respostas positivas sobre o seu empenho. “As pessoas vêm me agradecer porque eu ajudei a passar no vestibular, porque não tinham livros e vieram pegar aqui. Já veio turista bater foto dos detalhes. Vem idosos esperar o ônibus, eles se seguram na passarela que eu construí para atravessar a avenida”, disse.

Infográfico com dados

Publicado em Meio ambiente
mulheres com peças de tecido nas mãos em pé em volta de mesa com retalhos e sorrindo para a foto
As atividades, realizadas às segundas, quartas e sextas-feiras, reúnem cerca de 20 mulheres

O ateliê de arte do Centro de Referência do Empreendedor do bairro Bom Jardim tem sido palco de uma iniciativa transformadora. A produção de moda por meio do reaproveitamento de tecidos tem dado vida ao Projeto Colcha de Retalhos. O curso capacita mulheres em situação de vulnerabilidade e reúne esforços da Prefeitura de Fortaleza, por meio da Secretaria do Desenvolvimento Econômico (SDE), da Universidade Federal do Ceará (UFC) e do Conselho Regional de Administração (CRA).

As atividades, realizadas às segundas, quartas e sextas-feiras, reúnem cerca de 20 mulheres, protagonistas de histórias de vida distintas, que compartilham o desejo de descobrir talentos, de ampliar a própria capacidade e de conquistar, por meio do empreendedorismo, a tão sonhada independência financeira.

senhor de óculos segurando bolsa de tecido e sorrindo para a foto
Mírian Santana aposta nos aprendizados adquiridos para potencializar a qualidade dos materiais confeccionados e comercializados

O titular da SDE, Mosiah Torgan, reforçou o intuito da proposta. “O Colcha de Retalhos compõe a grade de atividades do Meu Bairro Empreendedor. O objetivo é beneficiar mulheres, ensiná-las a ter uma profissão, reutilizando um material que seria descartado em produtos que possam ser comercializados pela própria comunidade, transformando as mulheres em empreendedoras sustentáveis de base comunitária. Para isso, o Centro de Referência do Empreendedor oferece a estrutura adequada por meio de maquinários e armários. O resultado disso é inclusão, profissionalização, empreendedorismo e geração de oportunidades”, informou, ressaltando a importância da união de esforços entre o poder público, a iniciativa privada e a universidade.

Almofadas, jogos americanos, bolsas, laços e bonecas estão entre os principais materiais produzidos por Mírian Santana. A microempreendedora, de 52 anos, aposta nos aprendizados adquiridos para potencializar a qualidade dos materiais confeccionados e comercializados. “Desde agosto, estou imersa neste curso, que está sendo muito positivo e tem melhorado minha experiência no ramo. Tenho desenvolvido, inclusive, o talento para o patchwork, para o desenho. Além de agregar conhecimento, o Colcha de Retalhos me faz sentir parte de algo, eu me sinto mais útil, aprendo e vejo portas se abrirem para uma melhoria econômica”, considerou.

mulher sorrindo para a foto em frente à mesa com tecidos em cima
Eveline Azevedo, professora do curso cedida pela UFC

O projeto de extensão, ministrado pela professora Eveline de Azevedo, cedida pela Universidade Federal do Ceará (UFC), possui duração de 4 a 6 meses por turma. A grade curricular, segundo a docente, é composta por aulas teóricas e práticas no âmbito do empreendedorismo, do desenvolvimento de produtos, da modelagem, do patchwork, entre outros. “Com o apoio da indústria têxtil, estamos incentivando a autonomia dessas mulheres para o empreendedorismo. Estar aqui, para mim, é muito mais do que passar conhecimento de moda. É conversar, estimulá-las a ocupar produtivamente a cabeça e a colher os frutos desses aprendizados”, comentou.

Para Janaína Fernandes, do Conselho Regional de Administração (CRA-CE) e gestora do curso, "nosso propósito é empoderar mulheres para que elas venham empreender, gerar independência financeira para proporcionar poder de decisão sobre seus negócios, impactando diretamente sobre suas vidas. A visão da Prefeitura para o empreendedorismo de base é essencial. Nas comunidades, há uma carência grande. Por outro lado, são repletas de mulheres talentosas, com sonhos e ideias”, destacou.

O sucesso da iniciativa garantirá perspectivas positivas para 2020. Ano que vem, o Projeto irá ultrapassar as fronteiras brasileiras e firmará participação na VII Feira Internacional de Sustentabilidade, em Angola. “Iniciaremos a nossa coleção do Colcha de Retalhos. Nós fomos convidadas a apresentar os produtos em Luanda em novembro. Esse convite veio nos presentear e reforçar a nossa ideia de que empreender com sustentabilidade, com mulheres e com visão de desenvolvimento é o que o povo cearense precisa”, adiantou Janaína.

CLIQUE AQUI PARA BAIXAR MAIS FOTOS

Publicado em Economia
mulher de óculos sentada falando
Érica Lima Castelo Branco, chefe do Setor de Adoção e Manutenção do Vínculo, do TJ-CE

Em junho deste ano, 10 especialistas, entre psicólogos e assistentes sociais, foram cedidos pela Prefeitura de Fortaleza ao Tribunal de Justiça do Ceará (TJ-CE) para dar celeridade aos processos de habilitação para a adoção na Capital. Desde então, o tempo médio do trâmite caiu de um ano para 5 meses. A iniciativa reúne esforços da Primeira-dama Carol Bezerra e da Secretaria dos Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SDHDS). Também foram disponibilizados dois motoristas com carro a fim de assegurar a fluidez e o descongestionamento de relatórios pendentes em procedimentos registrados no Sistema Nacional de Adoção (SNA).

“Em nosso País, a adoção de crianças por parte de pessoas interessadas ainda é um drama frequente. Na maior parte das capitais, o período médio para se conseguir sucesso gira em torno de 12 meses, podendo oscilar para mais. Graças à parceria entre a SDHDS, a Primeira-dama e o TJ-CE, nós conseguimos a redução do prazo de habilitação em Fortaleza para 5 meses, reduzindo acentuadamente a fila de espera. Estamos muito felizes com essa realização, sabendo que ainda tem muito caminho pela frente”, afirmou o titular da SDHDS, Elpídio Nogueira.

A ação é fruto do compromisso firmado por Carol Bezerra durante eventos relacionados à causa, no primeiro semestre deste ano, com o Tribunal de Justiça do Estado do Ceará. Em cerca de 6 meses, a Coordenadoria de Processos Administrativos e Judiciais da Infância e Juventude de Fortaleza registrou redução de 74,05% no âmbito das pendências das habilitações.

Érica Lima Castelo Branco, chefe do Setor de Adoção e Manutenção do Vínculo, ressaltou os fatores que contribuíram para a queda expressiva do tempo médio para a habilitação. “Existia um número significativo de processos parados nas filas de adoção e do cadastro esperando estudo. Isso impactava, inclusive, o tempo que levava até a decisão da juíza. Recentemente, o convênio firmado com a Prefeitura de Fortaleza e com o Governo do Estado resultou na cessão de 10 profissionais cedidos pelo poder Municipal e outros nove pelo poder Estadual. Eles atuam na avaliação social e psicológica das famílias que pretendem realizar a adoção. A partir daí, é emitido um relatório com um parecer acerca do que é verificado nesse estudo. Com isso, os processos foram sendo devolvidos à Vara e as filas foram minimizadas”, reforçou.

mulher sentada sorrindo para a foto
Débora Melo da Silva, chefe do Setor de Cadastro de Adotantes e Adotandos do Juizado da Infância e da Juventude

Segundo a chefe do Setor de Cadastro de Adotantes e Adotandos do Juizado da Infância e da Juventude, Débora Melo da Silva, em 1º de abril deste ano, 131 pretendentes aguardavam a elaboração dos relatórios. Em 08 de novembro, a quantidade caiu para cinco. “A partir da cessão dos profissionais, as atividades foram intensificadas e, agora, no início de novembro, os números caíram consideravelmente. Em 4 meses, 77 relatórios foram emitidos apenas pelos psicólogos e assistentes sociais cedidos pela Prefeitura. A expectativa para os próximos meses é a melhor possível”, estimou.

A fim de assegurar a eficácia das atividades desenvolvidas pelos profissionais cedidos, foram realizadas capacitações e formações. A assistente social Ana Paula Torres Nobre Soares, cedida pela Prefeitura de Fortaleza ao Tribunal de Justiça, descreveu a experiência. “A partir de junho deste ano, tivemos um período de acompanhamento com as equipes dos setores envolvidos no processo, passando pelo cadastro, pela adoção e pela manutenção do vínculo. Com isso, tornou-se possível se apropriar do que era desenvolvido. Estamos tratando de pessoas que saíram de um contexto de vulnerabilidade sociofamiliar, que estão em situação temporária de acolhimento e que, diante da impossibilidade de retorno às suas famílias de origem, foram destituídas e irão conviver em nova realidade”, disse.

mulher posando para a foto e sorrindo com braços cruzados
Ana Paula Torres Nobre Soares é uma das assistentes sociais cedidas pela Prefeitura ao TJ-CE

A assistente social detalhou os critérios observados durante as visitas técnicas e as entrevistas. “Na visita, é observada a moradia. O local onde a criança ou o adolescente irá residir precisa ser adequado à receptividade digna. Já na entrevista, consideram-se fatores mais subjetivos. Principalmente a motivação que leva ao desejo de adoção e o apoio prestado por outros membros da família. Recentemente, uma mulher divorciada teve a habilitação aprovada para adoção de duas crianças. Além disso, o fato de a pessoa ser solteira ou de a família ser composta por casal homoafetivo, por exemplo, não importa. O diferencial é a motivação para a adoção e o cumprimento de alguns critérios, como a maioridade do adotante e a diferença de, pelo menos, 16 anos em relação ao adotando”, disse, acrescentando que, após a emissão do relatório em sistema virtual, o promotor emite um parecer e a juíza dá a sentença final.

Ainda de acordo com Ana Paula, as repercussões do reforço ultrapassam as expectativas inicialmente estimadas. “A partir de uma força-tarefa, os atrasos foram resolvidos. A fila de espera foi sendo minimizada. Isso trouxe aos pretendentes a sensação de alívio e esperança. Lidamos com um caso recente em que, em oito dias, foi realizada a visita, a entrevista e a emissão do relatório no sistema. Os pretendentes se comunicam em grupos on-line e têm sentido a diferença”, completou.

mulher em pé com as mãos na cintura sorrindo para a foto
Patrícia Machado teve seu processo de habilitação aprovado em 5 meses

A professora Patrícia Machado de Queiroz, de 36 anos, graduanda em Psicologia, testemunhou a celeridade do trâmite no próprio processo de habilitação. “Pretendo realizar uma adoção tardia. Durante a graduação, tive acesso a projetos de extensão relacionados ao tema. Foi algo que sempre quis. Minha habilitação durou 5 meses. Aconteceu de forma mais rápida do que eu imaginava. Principalmente, quando se pesquisa sobre os processos em outros Estados, onde se chega a esperar cerca de dois anos para a conclusão do processo. Fortaleza, com certeza, é uma das cidades mais rápidas do Brasil. Agora só me resta aguardar. Estou muito feliz”, considerou.

A chefe do Setor de Adoção, Érica Lima, esclareceu, ainda, que todo o processo de habilitação tramita no Setor de Cadastro. “É o primeiro passo. A pessoa interessada em adotar preenche um formulário, escolhe o perfil do adotando, participa de um curso e recebe em casa os profissionais da equipe técnica, composta por assistentes sociais e psicólogos. Essa equipe realiza o relatório dizendo se a família está ou não apta a adotar. Esse relatório segue para o Ministério Público e, por fim, a juíza dá a decisão se a pessoa está habilitada. Depois disso, a família vai conhecer a criança na instituição de acolhimento, passa um período de adaptação e entra com um processo propriamente dito de adoção. A partir daí, há a avaliação do estágio de convivência da criança com a família adotante”, explicou.

Publicado em Social
duas moças sorrindo para a foto
Com o Projeto Mulher Empreendedora, Wendy e Isabella conseguiram fabricar mais produtos e ainda se capacitar

Empreender é, antes de tudo, saber enxergar e aproveitar as oportunidades. Mas não é fácil começar o próprio negócio do zero. Mulheres desempregadas ou que vivem na informalidade desejam caminhar com mais autonomia e buscam uma atividade rentável que possa ser construída de forma independente, mas quase todas esbarram no mesmo problema: o financeiro. Pensando nisso, a Prefeitura de Fortaleza lançou, em 2018, o Projeto Mulher Empreendedora, executado pela Secretaria Municipal do Desenvolvimento Econômico (SDE). A iniciativa, que faz parte do Programa Fortaleza Competitiva, já está na segunda edição, realizando sonhos de mulheres arrojadas.

Da periferia à loja virtual

Quando Wendy Mesquita, de 26 anos, e Isabella Almeida, de 24, começaram a fabricar as próprias blusas, não imaginavam que, no espaço de um ano, ficariam populares em uma rede social. Foi assim que nasceu o perfil Fanchonas, o nome da marca que abraçou o público LGBT e a causa feminista. Além das blusas, botons, bolsas e outros artigos passaram a ganhar as ilustrações e frases criadas por elas sócias. "A inspiração vem do nada. Bate aquela 'luzinha', a gente cria e vê se fica legal para lançar. Às vezes, a gente passa um tempo sem criar e às vezes vêm muitas ideias juntas", conta.

Logo começaram as encomendas e elas perceberam que daria para investir no novo negócio. Em 2017, Wendy e Isabella já tinham a ideia amadurecida, mas só em 2018 surgiu a chance de focar no nicho escolhido e entrar de cabeça por meio do Projeto Mulher Empreendedora. "A gente tinha dificuldade de comprar os materiais. Vimos o edital do Mulher Empreendedora e corremos atrás. Com o financiamento, nosso negócio foi impulsionado porque conseguimos fabricar mais produtos. Além disso, tem a consultoria que nos capacita ainda mais", disse.

Com mais produtos em mãos, era a vez de Isabella entrar em cena. Com ela, os registros invadiram as páginas do Facebook e do Instagram, que se transformaram em ferramenta de trabalho. E tudo acontece de forma online. "Pelo fato de termos mais produtos e estampas, há uma oferta maior. A procura aumentou muito. Antes, tínhamos 70% das vendas concentradas nos estados. Agora, ganhamos os clientes de Fortaleza também. As vendas são realizadas pelo Instagram. O pedido é feito, damos um prazo para efetuar o pagamento e em sete dias úteis, o produto chega às mãos do cliente. Ainda ganhamos um retorno através de fotos e agradecimentos", explica Isabella.

O Projeto Mulher Empreendedora ofereceu não apenas o incentivo financeiro, mas também abriu a mente das garotas que querem crescer no mercado. Isabella diz que o plano é fazer a marca ficar conhecida nacionalmente e, no futuro, ter uma loja fixa. "A gente tem alguns modelos de lojas virtuais nessas duas temáticas. Queríamos seguir esses modelos e aumentar nosso alcance pelo Brasil e aqui. Também pensamos no site e, futuramente, em uma loja física em Fortaleza. Mas primeiro queremos ser referência no segmento", destacou.

senhora sentada usando máquina de costura e posando pra foto
Marinete não sabia utilizar a máquina de costura, mas viu a necessidade de aprender após conhecer o Projeto Mulher Empreendedora

Artesanato correndo nas veias

A primeira experiência que Marinete Costa, de 43 anos, teve com o artesanato, foi ainda na infância. "Na escola, tínhamos uma disciplina para conhecer o artesanato. Mas era tudo considerado uma brincadeira", conta. Anos depois, a brincadeira virou coisa séria. Com o propósito de ficar mais perto do marido e dos filhos, ela decidiu que queria trabalhar em casa. Foi aí que se engajou em um projeto da igreja e começou a fazer bonecos de feltro para vender. "Surgiu o projeto e eu logo abracei o artesanato de novo", disse. Depois, conheceu a técnica de patchwork, que é um trabalho feito com retalhos. "Você pega um tecido que não tem forma nenhuma e dá utilidade a ele. Eu pensei: eu ainda gosto do artesanato", lembra.

Até então, Marinete não sabia utilizar a máquina de costura, mas viu a necessidade de aprender após conhecer o Projeto Mulher Empreendedora. Ainda hoje, ela lembra a reação que teve ao ler o edital. "Na hora eu não acreditei. Eu não imaginava que pudesse existir um projeto como esse. Estava desde 2012 sem trabalhar e não tinha expectativa de ter um negócio que casasse com minha necessidade de estar mais tempo em casa. Surgiu como a chance de mudar minha vida", recorda.

E mudou mesmo. O Mulher Empreendedora proporcionou crescimento e uma nova visão para Marinete. "Você é obrigado a planejar seu negócio desde a compra da agulha até a sacola do produto. Tive que ler e me atualizar, aprender a costurar e adquirir conhecimento sobre empreendedorismo. Aí veio o curso de bolsas de patchwork, que é meu carro-chefe", diz.

Como já fazia trabalhos manuais antes, a artesã já tinha o material, mas não o maquinário. Por meio do financiamento adquirido no Projeto, ela pôde realizar seu sonho e, com tudo em mãos, material e máquinas, agora ela sonha alto. Quer expandir o negócio, investir nas bolsas e ver nascer a própria marca. "O que eu estou sonhando agora é lançar minha própria coleção, com meu nome, as características da minha terra, com nossa identidade cultural. Estou estudando muito sobre moda", comemora.

Projeto Mulher Empreendedora terá nova edição

A meta do programa é investir mais de R$ 1,2 milhão, sendo até R$ 15 mil por empreendimento. O Projeto visa incentivar a geração de trabalho e renda para mulheres empreendedoras. "O objetivo é permitir que elas tenham oportunidade. Se elas têm dificuldade de acessar crédito em bancos comerciais, agora elas contam com esse auxílio para montar um negócio com a ajuda da Prefeitura ou para expandir aquele que já possui", explicou Paulo Barbosa, coordenador do Projeto.

A boa notícia para quem ainda não conseguiu entrar no programa, é que a expansão dele já é uma certeza. "O Mulher Empreendedora vem transformando a vida de muitas mulheres e de suas famílias. Devido ao sucesso, temos a pretensão de lançar uma terceira edição no início de 2020 para alcançar um total de 200 negócios geridos por mulheres em nossa Capital", afirmou o secretário de Desenvolvimento Econômico, Mosiah Torgan.

Publicado em Economia
garota sorrindo para a foto e segurando uma filmadora
Nicoly Mota é monitora na área de audiovisual

Cultura, arte, ciência e esporte juntos em um mesmo espaço, gerando atividades teóricas e práticas. Esta é a vivência de muitos jovens de Fortaleza que frequentam a Rede Cuca e se beneficiam das atividades ofertadas nos equipamentos da Barra do Ceará, Jangurussu e Mondubim. A vulnerabilidade social nunca foi um fator limitante para eles.

A estudante Nicoly Mota, por exemplo, diz que se sentiu agraciada quando descobriu as atividades das quais ela poderia participar. "Eu lembro quando surgiram os boatos de que teria esse local onde iríamos estudar muitas coisas. Meus amigos não acreditavam. Eles acham que o Cuca é pago (risos). É bom tirar essa imagem. É de graça! Entrem nos cursos", disse.

Os cursos são apenas o primeiro passo. Com acesso a informações, aulas e palestras, os jovens são incentivados a pensar em projetos maiores. Quando a Prefeitura de Fortaleza, por meio da Coordenadoria Especial de Políticas Públicas de Juventude (CEPPJ), resolveu lançar o Programa de Jovens Monitores da Rede Cuca, o estudante Cristian Henrique Paulsson enxergou uma chance de crescimento. "Eu sempre gostei de Informática, desde criança. Tinha curiosidade em saber como cada peça do computador funcionava. Mas quando cheguei ao Cuca, não acreditava que o equipamento funcionasse bem, porque era mantido pelo Governo. Mas entrei, fiz cursos ligados na área, até que cheguei a uma monitoria", conta.

O edital do Programa foi lançado em julho deste ano e, por meio de uma seleção, 60 jovens entre 16 e 29 anos foram contemplados. Com a função de auxiliar os professores em sala de aula e orientar alunos que estejam com dúvidas, eles adquirem também aprofundamento na área pela qual optaram se dedicar.

rapaz em cadeira de rosas orientando moça sentada em frente a computador
Cristian Henrique se dedica e participa ativamente das aulas ajudando a tirar dúvidas dos alunos

Inclusão e paixão pela Informática

Cristian Henrique Paulsson é pernambucano e apaixonado por Informática desde os sete anos. Quando se mudou para Fortaleza, começou a frequentar o Cuca do Jangurussu. Durante mais de dois anos, participou de cursos e teve acesso a conteúdos ligados à Informática, até que um professor sugeriu que ele buscasse a monitoria. "O professor me indicou. Eu passei por todos os processos e não foi fácil. Tive que estudar bastante e me desdobrar", explicou.

Aos 19 anos, Cristian já tem metas traçadas para o futuro. "Pretendo fazer um curso técnico e, talvez, venha trabalhar aqui no Cuca. Mais adiante, penso em fazer uma faculdade na área da tecnologia", comentou. Por enquanto, ele se dedica e participa ativamente das aulas ajudando a tirar dúvidas dos alunos. O fato de ser cadeirante nunca trouxe problemas para ele. "Acredito que vivenciar toda essa experiência seja um diferencial para mim no futuro, pelo fato de eu ser cadeirante. Eu já me acostumei, mas sei que é difícil. Quero chegar ao mercado com conteúdo na cabeça e conhecimentos a mais", explicou.

rapaz sorrindo sentado à mesa com várias lentes fotográficas em cima
Gleidson é monitor de fotografia na Rede Cuca Barra

Da música para o audiovisual

Quando ainda morava em Russas, no interior do Ceará, o estudante Gleidson Melo, de 28 anos, já sonhava com a música e em gravar o primeiro videoclipe. Quando veio morar em Fortaleza, foi no Cuca da Barra do Ceará onde o sonho ganhou forma. Através do curso de audiovisual, ele aprendeu as técnicas de filmagem, edição e fotografia e se apaixonou.

A dedicação era para se manter sozinho em uma cidade onde não podia contar com quase ninguém. "Quando eu fiquei desempregado, conheci a Rede Cuca. Tive que deixar de procurar emprego só para estudar. Foi uma escolha e tive que arcar com as consequências, já que não tinha o apoio dos meus pais. Mas consegui gravar minha primeira música e depois veio a gravação do videoclipe. Aí nasceu minha paixão pelo audiovisual", disse o estudante que, ataravés da monitoria, começou também a planejar o futuro. No Cuca da Barra, Gleidson dá suporte nas aulas de fotografia, mas em horários livres, faz aprofundamento em técnicas de edição. Assim, ele se desenvolve na área em que pretende atuar profissionalmente. "Penso em trabalhar com audiovisual na minha cidade natal, em Russas, para que a arte no interior não fique estagnada. Mas sei que aqui posso trabalhar com isso também. Fazer ensaios, cobrir eventos como aniversários e casamentos e, assim, conseguir investir em novos equipamentos", destacou.

garota sorrindo para a foto em frente a computador enquanto edita foto
"A monitoria está sendo uma experiência agregadora para mim", comenta Nicoly

Monitoria e vôos mais altos

A jovem Nicoly Mota, de 21 anos, encontrou na monitoria o atalho para alcançar degraus mais altos. Foi a paixão pela arte que a fez procurar uma unidade do Cuca para elaborar e desenvolver atividades ligadas ao teatro e à música. Ela é Jovem Monitora na área de audiovisual. "A monitoria está sendo uma experiência agregadora para mim. Sempre fui autodidata e é bom estar próxima a todos esses equipamentos e pessoas que trabalham com cinema, que é minha grande paixão. Está sendo muito bom. Em dois meses aprendi muito sobre visões, planos, criatividade, ir além do que já é esperado. Peguei a parte teórica além da criativa", explicou Nicoly, que agora se prepara para dar um passo maior.

A atuação de Nicoly como monitora termina em janeiro de 2020. Antes disso, Nicoly vai migrar para outro projeto da Prefeitura, o Bolsa Jovem. Ela consegue enxergar um progresso, uma chance de poder financiar os próprios sonhos. "O Bolsa Jovem chegou para satisfazer o meu 'eu' artístico, para investir no que eu quero. Eu quero trabalhar em cima de um curta. Este é o meu projeto. Quero enviá-lo para festivais, dar o máximo que eu puder nele e ter dinheiro para comprar equipamentos e pagar pessoas que queiram trabalhar comigo", disse.

A iniciativa nasceu com o objetivo de aumentar a participação dos Jovens Monitores nas atividades de ensino e aprendizagem da Rede Cuca, bem como fortalecer a mobilização e participação juvenil, contribuindo, desta maneira, para a melhoria dos cursos, projetos, atividades e ações desenvolvidas.

Para o Coordenador da Juventude, Julio Brizzi, a função primordial da Rede Cuca é a garantia e o exercício de direitos da juventude. "Tudo gira em torno disso. Garantir direitos de juventude passa por uma formação de qualidade, por acesso à cultura, leitura, ao esporte e à convivência em um espaço de respeito às diferenças. A partir disso, o jovem vai se reconstruindo como sujeito. Hoje, a Rede Cuca tem sido um espaço de capacitação para o mundo do trabalho em diversas áreas. Capacita para o mercado formal em áreas como fotógrafia e audiovisual, e contribui para que o jovem também entre no mercado mais preparado, por intermédio de cursos de Inglês, Informática e Libras", disse.

Publicado em Juventude
Página 1 de 4